Coronavírus: Secretário estadual de Saúde evita falar em 'lockdown' e espera pico de casos na terceira semana de maio

O secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos

Em reunião virtual com deputados estaduais e o Ministério Público do Rio, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, respondeu a questionamentos, como a implementação ou não do lockdown por causa do avanço do coronavírus; o pico da pandemia no estado; as compras de equipamentos inadequados e o uso de leitos privados pelo SUS. Seguindo o discurso do governador Wilson Witzel, o secretário evita o uso da expressão para tratar do isolamento mais ampliado. Segundo Edmar, as medidas já implementadas pelo governo, como fechamento de escolas, comércio não essencial e alguns locais públicos, e restrições de mobilidade, são suficientes para as metas definidas pela secretaria (redução de 70% na circulação). Porém, reconhece que o objetivo não tem sido totalmente alcançado. A previsão é de que o pico no Rio aconteça a partir da terceira semana de maio.

– Em 10 ou 15 dias, o sistema de saúde público e privado não terá mais vagas. A previsão é que cheguemos ao pico, mas não sabemos se a curva vai começar a descer logo depois. Ou se mantém um platô como aconteceu nos EUA – afirmou o secretário, que estima até 180 mil infectados no momento. Por causa da subnotificação, o número oficial é de mais de 10 mil.

Diante da recomendação do MP, que pediu ao governo que enviasse uma proposta de isolamento mais radical após estudo da Fiocruz, o secretário afirmou que estão na pauta sanções administrativas para conter a circulação de pessoas. Edmar ressaltou ainda que ações pontuais dependem das prefeituras, que terão todo apoio dos órgãos estaduais.

– Estamos criando parâmetros para cada região do estado a fim de definir padrões de isolamento mais ou menos restritivos e regras para a reabertura. Estamos preparando um documento técnico – disse.

Sobre os 52 respiradores comprados de uma das empresas investigadas na operação Mercadores do Caos que não servem no tratamento da Covid-19, Edmar afirmou que a secretaria vai investigar de onde partiu o erro. Os equipamentos foram distribuídos aos hospitais, mas não podem ser utilizados.

Após o Ministério da Saúde não conseguir fazer a compra unificada de ventiladores mecânicos  para os estados, o secretário argumenta que houve uma corrida por equipamentos e erros aconteceram. Na operação da Polícia Federal, na quinta-feira passada, foram presos o ex-subsecretário da Saúde Gabriell Neves, e Gustavo Borges da Silva, que também trabalhava na Secretaria de Saúde e foi exonerado na última sexta-feira:

– Já cancelamos 40 contratos. Estávamos tentado receber os respiradores e depois fazer o distrato com a empresa.

Em relação à requisição de leitos do setor privado, Edmar aguarda a entrega das planilhas de custos dos hospitais particulares. Com esses valores em mãos, o estado fará a oferta para o pagamento do custo mínimo de vagas em enfermarias e UTIs.

– Não vamos gerenciar esses leitos. Vamos usar os leitos vagos para pacientes do SUS e fazer o ressarcimento justo. Em SP, estão pagando R$ 2.100 por leito, em outros lugares chega a R$ 3.100 – disse.