Coronavírus: secretarias estaduais anunciam de construção de hospital até uso de estádios esportivos para ampliar leitos

Leandro Prazeres e Paula Ferreira

BRASÍLIA - Embora o Ministério da Saúde tenha anunciado a oferta de leitos para todo país, as administrações estaduais também estão se mobilizando para ampliar a estrutura hospitalar para atender aos pacientes com Covid-19.

No Ceará, que registra 182 casos de infecção pelo novo coronavírus, o terceiro estado com maior número de ocorrências, a secretaria estadual adquiriu temporariamente o hospital Leonardo da Vinci, que pertence à rede privada.

Serão 230 leitos hospitalares para atender especificamente os pacientes de Covid-19. Entre esses, 30 serão equipados como leitos de UTI. A unidade estava fechada havia 13 anos e teve a estrutura reformada pelo governo local. Desde o começo desta semana o hospital já recebe pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Estádios viram hospitais

No âmbito municipal, a prefeitura de Fortaleza anunciou a construção de um hospital temporário no estádio Presidente Vargas para receber pacientes da Covid-19. A previsão é de que haja 204 leitos no local. Inicialmente, serão instalados leitos comuns que poderão ser convertidos em leitos de UTI. Além disso, outros 175 leitos de UTI serão montados progressivamente pela prefeitura da capital no Instituto Doutor José Frota (IJF2).

Já em Pernambuco, que tem 42 casos confirmados da doença, o governo do estado e a prefeitura do Recife anunciaram a instalação de 400 novos leitos de UTI e outros 600 leitos de retaguarda.

O Distrito Federal tem o quarto maior número de casos do Brasil e o maior da região Centro-Oeste (160). Segundo o governo, o DF tem, atualmente, 438 leitos de UTI disponíveis e informou que está em processo para instalar mais 90 leitos desse tipo nos próximos meses para enfrentar a doença. Sessenta deles ficarão no Hospital Regional de Santa Maria, 15 em um hospital de Taguatinga e outros 15 no Hospital Regional da Asa Norte.

O governo disse ainda que está estudando a possibilidade de utilizar prédios públicos como o Estádio Mané Garrincha para a implantação de leitos de retaguarda, destinados a pacientes não graves.

Em Minas Gerais, estado que tem o quinto maior número de casos (130), o governo não informou a quantidade de leitos de UTI novos que pretende instalar para enfrentar a epidemia. Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais disse apenas que o governo "estuda todas as possibilidades para a abertura de leitos no municípios mineiros" e que "no momento oportuno, as definições serão comunicadas à sociedade".

Atualmente, o governo do estado tem 2.795 leitos de UTI que podem ser utilizados por pacientes graves do coronavírus.

Crescimento no ritmo esperado

Na região Sul do país, o estado do Rio Grande do Sul lidera o ranking de maior número de casos confirmados. Segundo o Ministério da Saúde, são 98 pessoas infectadas com o novo coronavírus no estado. A rede estadual colocará 108 leitos de UTI extras e mais 374 leitos comuns para atender à possível demanda. O plano estadual de contingência prevê aumento de 22% no número total de leitos.

De acordo com as estimativas da secretaria de saúde estadual, o número total de leitos conseguirá atender aos casos no estado.

- O crescimento da doença aqui no estado está no ritmo esperado baseado no que aconteceu no mundo até agora. Se a gente chegar no quantitativo de 374 leitos a mais de UTI e se o Ministério disponibilizar o percentual esperado para os estados, consideramos que a estrutura será suficiente - afirmou Eduardo Elsade, diretor do departamento de regulação estadual da secretaria de saúde do Rio Grande do Sul.