Coronavírus: Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda remédio para malária e artrite

André de Souza

BRASÍLIA - Em informe divulgado na quinta-feira da semana passada, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendou que nenhum medicamento, entre eles a cloroquina, seja usado no tratamento de pacientes com o novo coronavírus "até que tenhamos evidência científica de sua eficácia e segurança". Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a hidroxicloroquina e a cloroquina são registradas para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

Na quinta-feira desa semana, o Ministério da Saúde informou que cloroquina é promissora no tratamento à doença provocada pelo vírus, que pode provocar febre e sintomas respiratórios. Por outro lado, comunicou que é preciso que estudos sejam feitos ainda, e recomendou não comprar o remédio nas farmácias. Em razão do novo coronavírus, os medicamentos já estão em falta nas drogarias.

A recomendação da SBI á para não fazer uso de nenhuma medicação até que haja evidência científica. Em alguns casos, informou a entidade, é que o produto pode até piorar o estado de saúde.

"A Sociedade Brasileira de Infectologia recomenda que nenhuma medicação, como lopinavir-ritonavir, cloroquina, interferon, vitamina C, corticoide, etc, seja usada para tratamento de pacientes com COVID-19 até que tenhamos evidência científica de sua eficácia e segurança. Algumas delas, como o corticoide, já demonstraram que podem piorar a evolução de outras viroses respiratórias, como na gripe", diz o informe.

A entidade fez uma ressalva: "esta recomendação pode mudar à luz de novos conhecimentos científicos, especialmente porque vários estudos clínicos estão em andamento". Mas depois destacou: "Devemos lembrar de um dos princípios éticos da Medicina, que em latim é PRIMUM NON NOCERE, ou seja, primeiro não causar dano ao paciente. Só estudos clínicos permitirão avaliar a eficácia e segurança de qualquer medicação."