Coronavírus: testes com cloroquina causam corrida a hospitais e dividem médicos na França

Daniela Fernandes - De Paris para a BBC News Brasil
Agente sanitário coleta amostra de motorista na França para testar presença do novo coronavírus

A utilização da hidroxicloroquina por hospitais públicos no sul da França em pacientes diagnosticados com o novo coronavírus, antes da conclusão de testes científicos mais amplos no país, está provocando grande polêmica entre pesquisadores, médicos e políticos em meio ao combate da pandemia, que já matou mais de mil pessoas na França.

No domingo, uma equipe comandada pelo professor Didier Raoult, diretor do Instituto Hospital Universitário Méditerranée Infection de Marselha, anunciou o uso da hidroxicloroquina — utilizada no tratamento de artrite reumatoide e da lúpus — em todos os pacientes infectados pelo novo coronavírus.

No tratamento, a hidroxicloroquina, um derivado da cloroquina (usada para combater a malária), é associada ao antibiótico azitromicina, conforme um estudo clínico publicado na semana passada pelo professor Raoult. A pesquisa revelou uma diminuição, em apenas seis dias, da carga viral de pacientes com covid-19 que receberam esses dois medicamentos.

"Nós pensamos que não é moral que essa associação (de remédios) não seja incluída sistematicamente nos testes terapêuticos referentes ao tratamento da covid-19 na França", afirmam os médicos do hospital de Marselha em um comunicado.

Desde domingo, filas com centenas de pessoas têm se formado em frente ao hospital de Marselha dirigido por Raoult, que também passou a fazer testes em todas as pessoas que apresentassem algum sintoma do novo coronavírus.

Até o momento, por falta de material disponível, as autoridades de saúde da França limitavam os testes a pacientes com sintomas graves e ao pessoal médico. O governo anunciou nesta terça-feira que os exames no país serão multiplicados em breve.

Em Nice, o Centro Hospitalar Universitário também já está realizando o tratamento de pacientes com base no estudo publicado por Raoult.

"Quando a guerra é declarada, não temos tempo de ficar fazendo testes em ratos durante seis meses", diz o prefeito de Nice, Christian Estrosi, infectado pelo novo coronavírus e que está usando a hidroxicloroquina.

Ele autorizou o hospital de Nice a aplicar o tratamento preconizado por Raoult, com o consentimento das famílias dos pacientes, e afirmou desejar que ele seja generalizado em toda a França para combater a pandemia.

Diante das divisões provocadas na França em relação à eventual eficácia do medicamento e aos possíveis efeitos colaterais, como arritmia cardíaca, o Alto Conselho Científico da França recomendou, nesta semana, utilizar a cloroquina e a hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 apenas em casos severos de pacientes hospitalizados, após decisão de um junta médica e sob rigoroso monitoramento — no Brasil, a mesma medida foi anunciada na quarta-feira pelo Ministério da Saúde.

Os dois hospitais do sul da França, continuam, no entanto, receitando a hidroxicloroquina associada ao antibiótico. Questionado pela BBC News Brasil, o instituto Mediterrannée Infection de Marselha não soube informar quantas pessoas já receberam o tratamento desde domingo.

No atual contexto de urgência sanitária, vários políticos franceses têm pressionado o governo para que o país "não fique atrasado" e utilize a hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus.

Enquanto alguns desejam acelerar o processo e administrar o medicamento de forma ampla, cientistas e autoridades sanitárias pedem cautela, ressaltando que os estudos do professor Raoult são preliminares e que até o momento não há comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina.

Apesar do estudo do professor Raoult ser considerado promissor, também pelo ministro da Saúde francês, muitos cientistas do país alertam que ele foi realizado com um pequeno grupo, de apenas 24 pessoas, e denunciam métodos pouco rigorosos e até possíveis falhas na metodologia da pesquisa.

A virologista Françoise Barré-Sinoussi — prêmio Nobel de Medicina pela sua participação na descoberta do vírus HIV, da Aids, e que preside um segundo conselho científico que assessora o governo francês, criado nesta terça-feira, no combate à Covid-19 — ressalta que o estudo de Marselha foi realizado com um pequeno número de pacientes e tem problemas de metodologia.

"É absolutamente indispensável que o teste desse medicamento seja realizado com rigor científico para obter uma resposta sobre sua eficácia e eventuais efeitos colaterais. Precisamos ter algo sério. Isso não é como Doliprane (paracetamol), há riscos cardíacos. Não é prudente propor isso a um grande número de pacientes nesse momento, já que não temos resultados confiáveis", afirmou Barré-Sinoussi em entrevista ao jornal Le Monde.

"Isso foi apontado como um medicamento milagroso. Há elementos a favor desse remédio, mas não podemos garantir, nesse momento, sua eficácia e ninguém pode dizer que se fizermos mais testes chegaremos a resultados espetaculares", afirma a infectologista Anne-Claude Crémieux, do hospital Saint-Louis, em Paris.

O professor Raoult é um renomado especialista em doenças infecciosas tropicais da faculdade de medicina de Marselha. Até esta terça-feira, ele integrava o comitê científico que assessora o governo francês sobre a covid-19, mas o deixou devido a divergências com seus membros. Ele afirma, no entanto, manter contato direto com o presidente Emmanuel Macron e o ministro da Saúde, Olivier Véran.

O pesquisador de Marselha não é o primeiro a se interessar pela cloroquina, usada contra a malária — objeto de um estudo realizado na China — ou por seu derivado, a hidroxicloroquina, para combater a atual pandemia. Mas Raoult teve um papel importante na divulgação internacional da utilização desses tratamentos.

O presidente americano, Donald Trump, fez uma declaração otimista sobre o uso da hidroxicloroquina, criando uma corrida às farmácias do país. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, também se entusiasmou com esse medicamento e pediu que um laboratório do Exército ampliasse sua produção.

A Organização Mundial da Saúde pediu prudência e condenou, na segunda-feira, a administração de medicamentos em pacientes infectados pelo novo coronavírus antes que a comunidade cientifica esteja de acordo sobre sua eficácia, alertando sobre "as falsas esperanças" que eles poderiam suscitar.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa) classificou a cloroquina e a hidroxicloroquina como medicamentos de controle especial. Em nota, a agência afirmou que "apesar de resultados promissores, não há nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavírus."

Corrida às farmácias

As discussões sobre a cloroquina e a hidroxicloroquina têm levado à forte procura por esses medicamentos em vários países, levando a problemas de abastecimento. O Marrocos chegou a confiscar os dois medicamentos em estoque na filial do laboratório francês Sanofi no país.

Na França, pacientes de lúpus têm alertado sobre a falta do remédio Plaquenil (Plaquinol no Brasil), fabricado pela Sanofi e que tem a hidroxicloroquina como princípio ativo.

Olivier Bogillot, presidente da Sanofi, afirmou que o grupo farmacêutico "se prepara ativamente" para corresponder à demanda se a eficácia do medicamento for comprovada no tratamento do novo coronavírus. Segundo ele, o laboratório possui estoques para tratar 300 mil pacientes imediatamente na França, enquanto se aguarda um eventual sinal verde das autoridades.

Projeto Discovery

O estudo do professor Raoult foi ampliado e está sendo reproduzido em outros hospitais da França, a pedido do governo francês, em um número maior de pacientes.

A hidroxicloroquina é um dos medicamentos testados em maior escala que integram o projeto europeu Discovery, um vasto estudo para descobrir tratamentos contra o novo coronavírus, com 3,2 mil pacientes, utilizando remédios que já existem. Lançado no domingo em sete países, ele é coordenado na França pelo Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica (Inserm).

Pelo menos 800 pacientes hospitalizados na França participam desse estudo europeu que testará também antivirais e tratamentos utilizados contra o vírus ebola, a hepatite C ou ainda a Aids.

A previsão é de que os primeiros resultados do projeto Discovery possam ser divulgados em duas ou três semanas.

Mais sobre o coronavírus
Banner

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

https://www.youtube.com/watch?v=hxZpWYwNo5M

https://www.youtube.com/watch?v=i1fmJbOhFc4

https://www.youtube.com/watch?v=Ya59JcvPVZo

  • "Médico não abandona o paciente, mas paciente troca de médico", diz Bolsonaro
    Saúde
    Yahoo Notícias

    "Médico não abandona o paciente, mas paciente troca de médico", diz Bolsonaro

    Presidente abre live dizendo que não falaria do Mandetta, mas cita frase famosa do ministro da Saúde ao comentar sobre a hidroxicloroquina

  • Sem ajuda de Trump ou Bolsonaro, imigrantes brasileiros sofrem em crise do coronavírus nos EUA
    Notícias
    BBC News Brasil

    Sem ajuda de Trump ou Bolsonaro, imigrantes brasileiros sofrem em crise do coronavírus nos EUA

    Em meio à quarentena, trabalhos desapareceram e brasileiros dependem da solidariedade da comunidade para não passar fome; muitas deixam de pagar aluguel para ter dinheiro para comida e remédios.

  • Tratamento testado em Israel ajudou 100% dos pacientes com coronavírus, mostram dados preliminares
    Saúde
    Yahoo Notícias

    Tratamento testado em Israel ajudou 100% dos pacientes com coronavírus, mostram dados preliminares

    Seis pessoas de alto risco participaram do tratamento. Todas apresentaram melhora

  • Com quarentena pelo coronavírus, indianos conseguem ver o pico do Himalaia pela primeira vez em 30 anos
    Notícias
    Yahoo Notícias

    Com quarentena pelo coronavírus, indianos conseguem ver o pico do Himalaia pela primeira vez em 30 anos

    País é um dos mais poluídos do mundo. Normalmente, moradores de Punjab não conseguem ver a cordilheira

  • Marcão do Povo se pronuncia pela primeira vez após ser afastado do SBT e diz que 'tudo passa'
    Notícias
    Folhapress

    Marcão do Povo se pronuncia pela primeira vez após ser afastado do SBT e diz que 'tudo passa'

    "Estou muito feliz, trabalhando bastante em casa. Quero dizer que tudo passa. Deus tem a resposta para todas as perguntas", disse o jornalista

  • Ciro sobre crise do coronavírus: Mandetta é “carrapato apegado ao cargo”
    Política
    Yahoo Notícias

    Ciro sobre crise do coronavírus: Mandetta é “carrapato apegado ao cargo”

    Mas ex-governador do Ceará defendeu a manutenção do ministro da Saúde no cargo para evitar que assuma um "terraplanista"

  • 'Vamos pagar esse preço ali na frente', diz Mandetta sobre aumento na circulação nas cidades
    Notícias
    O Globo

    'Vamos pagar esse preço ali na frente', diz Mandetta sobre aumento na circulação nas cidades

    Ministro da Saúde afirma que coronavírus 'adora que as pessoas achem que ele é inofensivo'

  • Coronavírus: por que não há casos registrados no Turcomenistão
    Saúde
    BBC News Brasil

    Coronavírus: por que não há casos registrados no Turcomenistão

    Enquanto diversos países impuseram restrições e quarentena à população, a vida continua normalmente em um dos regimes mais autoritários do mundo

  • Mara Maravilha comemora aniversário do marido com ensaio fotográfico: '31 aninhos'
    Entretenimento
    Extra

    Mara Maravilha comemora aniversário do marido com ensaio fotográfico: '31 aninhos'

    A apresentadora Mara Maravilha causou no Instagram, essa semana, ao postar um ensaio fotográfico ao...

  • Coronavírus: DF autoriza reabertura de lojas de móveis, eletrônicos e Sistema S
    Notícias
    O Globo

    Coronavírus: DF autoriza reabertura de lojas de móveis, eletrônicos e Sistema S

    Medida foi decretada na noite desta quinta-feira

  • Diálogo mostra Osmar Terra oferecendo ajuda a Onyx para trocar Mandetta
    Política
    Folhapress

    Diálogo mostra Osmar Terra oferecendo ajuda a Onyx para trocar Mandetta

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Defensor da flexibilização do isolamento social, o ex-ministro e deputado Osmar Terra (MDB-RS) ofereceu ajuda ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, para trocar o titular da Saúde, Henrique Mandetta, de quem diverge sobre as medidas de combate ao novo coronavírus. "Eu ajudo, Onyx. E não precisa ser eu o ministro, tem mais gente que pode ser", afirmou Terra em conversa ouvida e divulgada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (9). O vazamento ocorre em um momento de desgaste de Mandetta com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Eles divergem sobre o protocolo de isolamento para evitar aumento da dispersão do vírus e sobre o uso de medicamentos no tratamento da Covid-19. O novo impasse fez com que uma entrevista coletiva marcada para a tarde desta quinta-feira fosse cancelada. Houve um entendimento de que a divulgação da conversa entre Onyx e Terra poderia dominar a entrevista, ofuscando os anúncios que seriam feitos pelos ministros. Além de Mandetta, estava prevista a participação dos ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia). À Folha de S.Paulo, o ministro da Saúde evitou comentar a conversa. "Eu só trabalho, trabalho, trabalho", afirmou, dizendo não ter visto a notícia sobre a conversa e perguntando do que se tratava. Em seguida, ao ser informado de que o diálogo era de críticas a ele, apenas disse: "Deixa eles". Embora tenha sido um dos responsáveis pela indicação de Mandetta para o governo, já que ambos são do DEM, Onyx disse nesta quinta que "cortaria a cabeça" do ministro se estivesse na cadeira presencial. No diálogo, o titular da Cidadania faz uma menção à reunião ministerial ocorrida na segunda (6), quando a demissão de Mandetta foi cogitada pelo presidente. "Se eu estivesse na cadeira [do Bolsonaro]... O que aconteceu na reunião eu não teria segurado, eu teria cortado a cabeça dele", diz um trecho da conversa publicada pela emissora. No diálogo, Terra, que está de olho na cadeira de Mandetta, defende mudança da política de distanciamento social defendida pelo ministro da Saúde. Em outro trecho da conversa, Terra diz que Mandetta deveria se adequar ao discurso de Bolsonaro. Em seguida, afirma que, em caso de troca, não precisa ser ele o ministro. Bolsonaro mencionou brevemente o vazamento do diálogo no início de sua live semanal pelas redes sociais, afirmando que não comentaria o caso. "Quem está esperando eu falar do Mandetta, Osmar Terra e Onyx pode passar para outra live. Não vai ter este assunto hoje aqui", disse. Procurada, a assessoria de Terra informou que o deputado não comentaria por tratar-se de uma conversa privada. Na tarde desta quinta-feira, em meio à crise ministerial, o presidente foi a uma padaria em Brasília. Acompanhado de Tarcísio e de um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o presidente comeu um sonho e cumprimentou clientes do local. O entendimento de auxiliares de Bolsonaro é de que o vazamento foi arquitetado por Terra para manter a fritura de Mandetta. Eles dizem acreditar, porém, que Onyx não sabia que a conversa estava sendo acompanhada por um jornalista. Apesar da insistência da ala ideológica em manter a tensão, as áreas militar e técnica afirmam que a situação se acalmou e o incêndio hoje está resumido a brasas. Técnicos do Ministério da Saúde comentaram, em tom de brincadeira, que, quando o sol parecia aparecer, outra nuvem carregada se aproximou. Um ministro reagiu dizendo que era possível soprar esta nuvem para longe. O vazamento do áudio gerou revolta na bancada de deputados do DEM, que se mobilizaram nos últimos dias para defender a permanência de Mandetta no cargo. Na avaliação de parlamentares, o ato de Onyx foi uma traição. Houve entre os deputados quem defendesse que o partido adotasse algum tipo de sanção contra o ministro da Cidadania. O líder da bancada do partido na Câmara, Efraim Filho (PB), disse que o episódio gera um "ruído péssimo", mas, numa sinalização contra eventuais punições, disse que os deputados do DEM vão "olhar para frente". "É um episódio que impacta na bancada, gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da pandemia. E assim continuaremos. Se trata um diálogo pessoal que não nos cabe avaliar a conduta de cada um. A bancada vai olhar pra frente e focar no trabalho para salvar vidas e empregos", disse.

  • Secretaria de Saúde assume erro e pede desculpas por informação incorreta no painel de monitoramento do coronavírus
    Notícias
    Extra

    Secretaria de Saúde assume erro e pede desculpas por informação incorreta no painel de monitoramento do coronavírus

    A Secretaria de Estado de Saúde admitiu, na tarde desta quarta-feira, que a informação sobre o...

  • Órgão de saúde dos EUA recua e muda texto sobre cloroquina em caso de coronavírus
    Saúde
    Folhapress

    Órgão de saúde dos EUA recua e muda texto sobre cloroquina em caso de coronavírus

    WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em meio às discussões sobre o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina para tratar e prevenir a Covid-19, o Centro de Prevenção e Controle de Doença dos EUA (CDC, na sigla em inglês) retirou de seu site as orientações para os médicos sobre como prescrever a substância nos casos de coronavírus. O presidente Donald Trump tem feito uma defesa otimista sobre o remédio, utilizado hoje no tratamento de doenças como malária, lúpus e artrite reumatoide, e causou uma corrida desesperada às farmácias americanas nas últimas semanas. A cloroquina -ou sua variante, hidroxicloroquina- apresentou resultados promissores em dois estudos muito preliminares contra o coronavírus, mas ainda não há provas de sua verdadeira eficácia. A página do CDC intitulada "informações para clínicos sobre opções terapêuticas para pacientes com Covid-19" dizia que, "embora dosagem e duração da hidroxicloroquina no tratamento para a Covid-19 sejam desconhecidas, alguns clínicos dos EUA têm reportado" formas de prescrever o medicamento nesses casos. Agora o site diz apenas que "a hidroxicloroquina e a cloroquina estão sob investigação em ensaios clínicos para profilaxia pré-exposição ou pós-exposição da infecção por SARS-CoV-2 e tratamento de pacientes com Covid-19 leve, moderado e grave". E que "não há medicamentos ou outros terapêuticos aprovados pela FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA) para prevenir ou tratar a Covid-19". A passagem inicial do site do CDC gerou debate na comunidade médica, já que não citava nenhum fato científico. Especialistas relataram à agência de notícias Reuters que os termos utilizados eram incomuns, já que "baseados em relatos." De acordo com a Reuters, a primeira orientação foi elaborada pelo CDC depois que Trump pressionou pessoalmente autoridades de saúde para tentar tornar o medicamento mais amplamente disponível para o tratamento de coronavírus. Questionado sobre os efeitos da substância e o fato de não haver ainda prova científica de que sua eficácia contra a Covid-19, Trump tem sido dúbio e, apesar de defender o remédio, termina suas declarações com "mas não sou médico." No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro também defende o remédio como tratamento para a Covid-19. Nesta terça-feira (7), o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou que recomenda o uso do medicamento a pacientes internados em estado grave, mas que não mudará o protocolo antes de evidências científicas robustas sobre a segurança e eficácia da droga nos casos de infecção por coronavírus.

  • Em meio ao coronavírus, Copacabana Palace fecha pela primeira vez em 97 anos
    Notícias
    O Globo

    Em meio ao coronavírus, Copacabana Palace fecha pela primeira vez em 97 anos

    Suspensão das atividades começa nesta sexta-feira e deve ir até fim de maio

  • Entenda como será o novo saque do FGTS a partir de junho
    Negócios
    O Globo

    Entenda como será o novo saque do FGTS a partir de junho

    Governo autorizou a liberação de R$ 1.045 por trabalhador, em mais uma tentativa de estimular a economia

  • Casos de coronavírus nos estados em 9 de abril
    Notícias
    Yahoo Notícias

    Casos de coronavírus nos estados em 9 de abril

    Veja a lista atualizada da situação de casos de coronavírus em cada um dos Estados

  • Petroleiros testam positivo para coronavírus em plataforma a serviço da Petrobras na Bacia de Santos
    Notícias
    Extra

    Petroleiros testam positivo para coronavírus em plataforma a serviço da Petrobras na Bacia de Santos

    Um número significativo de trabalhadores em um navio-plataforma Capixaba (FPSO) a serviço da...

  • Equador em caos
    Notícias
    AFP

    Equador em caos

    O Equador é o segundo país da América Latina em casos de Covid-19, atrás apenas do Brasil. Em Guayaquil, a situação da população contaminada é caótica...

  • Kalil diz que menção de Bolsonaro foi 'surpresa' e não comenta protocolo do ministério
    Saúde
    Folhapress

    Kalil diz que menção de Bolsonaro foi 'surpresa' e não comenta protocolo do ministério

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cardiologista Roberto Kalil Filho, do Hospital Sírio-Libanês, afirmou à reportagem que a citação de seu nome em pronunciamento em rede nacional do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na noite desta quarta (8), foi uma "surpresa". Bolsonaro parabenizou Kalil por ter declarado que foi medicado com a hidroxicloroquina. O presidente defende que a droga --que ainda não tem comprovação de efeito contra a Covid-19-- seja dada a pacientes em estágios iniciais da doença. Kalil, porém, recebeu a droga enquanto estava internado em estado grave. O médico não quis detalhar o que achou do pronunciamento ou do uso de seu nome e de casos individuais para falar sobre a indicação de hidroxicloroquina. "É portaria do Ministério da Saúde. Os médicos estão autorizados a prescrever. Claro que não se sabe o resultado final disso, mas essa doença mata", disse o cardiologista, que não quis comentar sobre o protocolo da pasta quanto ao medicamento. "Eu não sou infectologista. Tem que discutir com os infectologistas." Em pronunciamento, Bolsonaro disse que "após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos quarenta dias a possibilidade do tratamento da doença desde a sua fase inicial". "Há pouco conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos", afirmou o presidente. "Disse-me mais. Que, mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento agora para não se arrepender no futuro. Essa decisão poderá entrar para a história como tendo salvo milhares de vidas no Brasil. Nossos parabéns ao doutor Kalil." Mais cedo, o médico afirmou ter usado a hidroxicloroquina. Ao jornal O Globo disse: "Quando eu internei, o meu estado geral era péssimo. Era uma pneumonia em grau avançado. Foram discutidos vários tipos de tratamento, dentre elas a hidroxicloroquina, e aceitei. Meu estado não era bom e foi colocado uma gama de tratamentos. Fiz o uso [da hidroxicloroquina] sim. Melhorei só por causa dela? Provavelmente não. Ajudou? Espero que sim. Tomei também corticoide, anticoagulante, antibiótico". Também ao jornal O Globo, mais cedo, ao ser questionado sobre a posição de Bolsonaro em defesa da droga, Kalil disse que embora a ciência esteja acima de tudo, a cloroquina já é usada há décadas e seu uso pode ser considerado em conjunto com outras medicações, com o objetivo de evitar que pacientes precisem de atendimento em UTIs. "Independentemente de não ter estudo científico, acho que vale a pena sem dúvida nenhuma. Não tenho medo de falar isso. Não sou infectologista. Se você pega essa gama de medicações com paciente internado e encurta a alta dele e evitar que vá pra UTI, você está salvando vidas", disse o médico. As orientações para uso da hidroxicloroquina e declarações sobre o assunto fizeram com que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, alfinetasse João Doria, governador de São Paulo, e David Uip, coordenador do comitê de controle do coronavírus do estado. Uip, antes, havia dito que orientou o Ministério da Saúde sobre a distribuição de cloroquina na rede pública para pacientes internados. "Hoje esse medicamento não tem paternidade, governador não precisa politizar esse assunto, esse assunto já esta devidamente colocado", afirmou Mandetta, que tem defendido mais estudos quanto a possível efetividade da droga e seu uso somente para casos graves e críticos, como recomenda o protocolo do ministério. Enquanto isso, Bolsonaro, sem citar dados de pesquisas, defende o tratamento precoce com a droga. "Agora tem uma outra coisa esse tratamento começou aqui no Brasil que tem que ser feito, com quem a gente tem conversado, até o quarto ou dia útil [sic] dos sintomas. Passando disso, como a evolução é muito rápida e ele ataca basicamente o pulmão, quando entrar no estado grave ou no estado gravíssimo, a possibilidade de você se curar é mínima, é quase zero", disse. Já Mandetta afirma que não faz sentido prescrever a droga para pacientes com sintomas iniciais, considerando que a pessoa pode estar contaminada com outros vírus respiratórios que circulam no país, como o H1N1. "Entrar com um medicamento sem saber que vírus é já teria uma primeira complicação", disse, reforçando "não ser inteligente" receitar medicação para pessoas que não precisam dela.

  • Sistema de saúde do Amazonas entra em colapso com pandemia de coronavírus
    Saúde
    Reuters

    Sistema de saúde do Amazonas entra em colapso com pandemia de coronavírus

    Os casos confirmados do vírus chegaram a 899 no Estado, sendo 800 na capital Manaus, única cidade com unidades de tratamento intensivo no Amazonas.A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde  (FVS-AM), Rosemary Pinto, disse que as pessoas não estão prestando atenção às orientações de distanciamento social e quarentena, que tem o objetivo de impedir o funcionamento de todas as atividades e serviços não essenciais.

  • Número dois da Saúde diz que estudo sobre uso de plasmas em pacientes evolui 'muito bem' e terá desfecho em breve
    Saúde
    O Globo

    Número dois da Saúde diz que estudo sobre uso de plasmas em pacientes evolui 'muito bem' e terá desfecho em breve

    Ministério da Saúde analisa vários possíveis tratamentos para a doença

  • Confira na íntegra o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro no dia 8 de abril de 2020
    Notícias
    Originais do Yahoo

    Confira na íntegra o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro no dia 8 de abril de 2020

    08.04.2020 - Acompanhe o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, feito hoje à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, sobre o enfrentamento à Covid-19.

  • Voo humanitário vai retirar passageiros de cruzeiro no Uruguai
    Estilo de vida
    AFP

    Voo humanitário vai retirar passageiros de cruzeiro no Uruguai

    O governo uruguaio autorizou a chegada de um voo humanitário na quinta-feira para evacuar passageiros australianos e neozelandeses do navio de cruzeiro ancorado há dias na costa de Montevidéu. Várias pessoas a bordo foram diagnosticadas com o novo coronavírus.