Coronavírus: UFRJ desenvolve modelo que traça previsões para pico da pandemia e número de casos da Covid-19 no Brasil

Gabriela Oliva
Carolina Naveira-Cotta, professora e pesquisadora da Coppe

RIO - Professores da UFRJ com apoio da Marinha do Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) desenvolveram um modelo matemático que permite traçar previsões para o número de casos da Covid-19, reportados e não reportados, e o pico da pandemia em cenários com diferentes medidas de saúde pública.

Por solicitação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), os professores responsáveis pelo estudo, Carolina Naveira-Cotta e Renato Cotta, e o especialista em simulação de epidemias Pierre Magal, professor da Universidade de Bordeaux, França, têm fornecido simulações para diferentes cenários e regiões do país.

— Os casos reportados são apenas uma fração do número total de indivíduos com os sintomas. É preciso considerar também os casos não reportados. Usamos como referência o modelo já utilizado em previsões relacionadas a outras doenças, como casos recentes de epidemias de influenza, cujo número de infectados não reportados é grande, assim como no caso da Covid-19 — explica Carolina Naveira-Cotta, professora da Coppe-UFRJ.

Segundo a professora, a intenção do estudo é suprir com uma ferramenta complementar aquelas já empregadas pelos órgãos responsáveis pelo controle da epidemia, regional ou nacionalmente.

Os pesquisadores usaram ‪o dia 25/2‬, data do primeiro caso reportado no país, como marco para prever o pico da doença no país. Em seguida, simularam as intervenções de saúde pública.

Também professor da Coppe-UFRJ, Renato Cotta diz que estamos atravessando o pico dos casos no país:

— O estudo auxilia na previsão para os próximos 30 dias de doença e na construção de cenários para a gestão da saúde pública. No país, estamos atravessando o pico dos casos. Sendo eles os assintomáticos, os reportados e não reportados. Os dados se aplicam igualmente nas regiões do Brasi. Naturalmente, existe uma margem de erro, mas o modelo corresponde a um reflexo no panorama da saúde pública nacional.

Os dados disponíveis acerca dos casos confirmados no Brasil, entre ‪25 de fevereiro‬ e 29 de março, foram usados para estimar parâmetros e prever a evolução da epidemia. Os autores traçaram cinco cenários hipotéticos com medidas de saúde pública para controle da doença no Brasil.

— Os cenários estudados incluem variações como distanciamento social, hábitos de higiene e proteção individual, intensificação de testes para isolamento de infectados e outras medidas de reorganização social. A sensibilidade do modelo a esses parâmetros foi então avaliada por meio de cinco cenários: manter-se as medidas de contenção e mitigação no nível atual, intensificar progressivamente o distanciamento social, reduzir progressivamente o distanciamento social, intensificar o isolamento de infectados pela testagem mais numerosa da população e combinar a testagem ampliada com a intensificação do distanciamento social — explica Carolina Naveira-Cotta.