Coronavírus: Usuários das barcas viajam em assentos colados e reclamam de aglomerações

Gustavo Goulart
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Barcas com aglomerações de pessoas no Rio

RIO — Usuários das barcas, tanto da linha Praça Arariboia-Praça XV quanto da Praça XV-Ilha de Paquetá, reclamam de aglomerações dentro das embarcações durante as viagens. Uma das queixas está ligada também as medidas preventivas contra o coronavírus tomadas pela CCR Barcas e autorizadas pelo governo do Estado, que põem em risco a integridade dos passageiros. A empresa estabeleceu que as viagens só poderiam ser feitas com passageiros sentados, o que reduziu de 1.300 para 900 o número de pessoas por embarcação. O problema é que a distância entre um assento e outro é muito curta e não respeita a orientação  de segurança de um distanciamento de 1,5 m a 2 m entre as pessoas.

Como medida paliativa, o governo do Estado emitiu uma resolução em que permite que os passageiros viagem também em pé e se aproximem das janelas caso se sintam mais seguros. Porém, há problemas que precisam de solução rápida. Fotos enviadas ao GLOBO na manhã desta quinta-feira por um leitor mostram que a maioria dos passageiros usa máscaras, mas alguns deles estão sem o equipamento de segurança. Além disso muitos usuários não pertencem ao grupo de trabalhadores de serviços essenciais, cujo acesso ao transporte marítimo é exclusivo. Um contador, por exemplo, tem embarcado tranquilamente diariamente.

— Mostro o crachá da minha empresa e acesso a estação passando pelo bloqueio da Polícia Militar. Mesmo com limite de passageiros as barcas tem seguido viagem com muitas aglomerações. Chego a ficar meia hora aguardando o início da viagem. acho que a CCR Barcas deveria disponibilizar mais embarcações  — comentou o homem.

Médica critica abertura das barcas

Pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo criticou duramente a manutenção do transporte aquaviário.

— É um absurdo total deixar as barcas trafegarem. Não manter um espaço seguro entre as pessoas é uma incoerência enorme diante de todas as medidas tomadas para a prevenção de contaminação pelo novo coronavírus. É um escândalo diante da situação epidemiológica trágica em que vivemos. Isso mostra como os métodos de prevenção utilizados são confusos e contraditórios  — reclamou a médica.

a situação, segundo uma moradora de Paquetá, é a mesma para quem usa as barcas para ir e vir da Ilha. Uma usuária chegou a relatar que no mês passado, Quando ia embarcar numa lancha pequena com apenas duas janelas traseiras abertas, viu um corpo num caixão sendo levado por profissionais de saúde paramentados com vestimentas de segurança.

 — Aquilo me deu medo e cheguei a perguntar se poderia entrar. Um corpo num caixão todo lacrado e pessoas vestidas com aquelas roupas de segurança indo para Paquetá. E naquela barquinha pequena totalmente cheia. É um absurdo o que estão fazendo com os moradores da Ilha  — reclamou a moradora de Paquetá, acrescentando que nos dias úteis as barcas a partir de 3h30m seguem para a ilha lotadas.

Por meio de nota, a CCR Barcas informou que o limite do número de passageiros por embarcação foi uma medida tomada para evitar justamente aglomerações e que as balsas estão sendo higienizadas a todo instante. Ainda segundo a concessionária, as viagens entre a ilha de Paquetá e a Praça XV estão sendo feitas intervalos maiores. As viagens da Praça XV para Paquetá começam à 6h30m. Depois, a viagem às 9h30m, às 12h30m, às 15h30m, às 18h30m e às 21h30m. A medida valae para os dias úteis e também para os fins de semana, segundo a concessionária.

"Em cumprimento a Decreto do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por medida de prevenção ao aumento do número de casos de coronavírus, na linha Paquetá, as viagens estão sendo realizadas conforme as grades disponíveis no site, sendo importante ressaltar que o controle de acesso está sendo realizado pela Polícia Militar".

Já na estação Araribóia, entre 6h e 9h e e 16h e 18h, o intervalo entre as viagens e 30 minutos. Entre esses horários intervalo aumenta, ficando em uma hora. Em outro trecho, a nota diz que o limite de passageiros foi uma medida tomada justamente para evitar aglomerações.

"Para evitar aglomeração no interior das estações e nos barcos, os bloqueios das estações estão programados para que o número de passagens disponibilizadas seja exatamente igual ao número de assentos da embarcação da vez, de forma que o número de passageiros embarcados seja limitado ao número de assentos da embarcação. Vale pontuar que, desde que as medidas foram implementadas, as embarcações nunca saíram com a totalidade dos assentos ocupados. A Concessionária destaca ainda que adotou procedimentos operacionais e de informação, além de intensificar a limpeza e a higienização das embarcações e estações.

Sendo assim, a empresa vem promovendo a desinfecção diária e constante de suas dependências. A fim de evitar a propagação do vírus no transporte aquaviário, colaboradores da CCR Barcas usando os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados aplicam constantemente nas embarcações e estações um detergente desinfetante concentrado para limpeza e desinfecção de superfícies hospitalares e equipamentos médicos. No âmbito operacional, as embarcações com sistema de ar condicionado estão navegando com as portas abertas, ação que ocorre, conforme aprovação da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro", diz um trecho da nota.

Já a Secretaria estadual de Transportes, responsável pelas medidas de prevenção tomadas do transporte público, diz, por meio de nota, que o fato de haver passageiros em pé não configura superlotação nas barcas.

"A Secretaria de Estado de Transportes ressalta que, conforme Resolução publicada no Diário Oficial do dia 26 de março, para evitar aglomeração, a cada viagem é liberado o acesso apenas do número de assentos da embarcação da vez. O fato de haver passageiro em pé não configura superlotação, uma vez que há esse limite de embarque. Com o objetivo de manter o distanciamento entre os usuários, o passageiro pode viajar em pé e alguns optam por isso", diz a nota.

A Polícia Militar ainda não respondeu às indagações do GLOBO sobre o acesso de passageiros nas estações Praça XV e Arariboia que não trabalham em serviços essenciais.

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