'Coronavírus vem se comportando como na Itália', diz diretor do Ministério da Saúde

André de Souza
Júlio Croda

O diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda, disse nesta terça-feira que o coronavírus está se comportando de forma semelhante ao que ocorreu na Itália.

Fora a China, onde surgiu a epidemia, o país europeu é o mais afetado pela Covid-19.

— Não temos como prever exatamente o pico da epidemia, porque pode ser que as medidas adotadas tenham algum impacto. O que a gente está observando é que o vírus está se comportando de forma similar à Itália, Espanha e Reino Unido, com o mesmo padrão no número de casos — disse Croda.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta terça-feira não ter "bola de cristal" para dizer como o coronavírus vai se comportar no Brasil.

— Quando teve o vírus da zika, que demos emergência mundial, o que ocorre no Brasil não se replicou em outros lugares. Torcemos para que o comportamento desse vírus possa ser mais brando. Mas não temos bola de cristal e estamos trabalhando com o cenário das informações que temos mais recentes — disse o ministro.

O Ministério da Saúde atualizou para 291 o número de casos de coronavírus no Brasil na tarde desta terça-feira. É um aumento de 57 contágios em relação ao último boletim epidemiológico, que indicava 234 infecções em território nacional. Além disso, houve uma morte — anunciada nesta terça — no estado de São Paulo.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, anunciou que vai ser publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira um chamamento para adquirir testes rápidos para testar o novo coronavírus. A qualidade dos produtos ainda será analisado pela pasta.

Na segunda-feira, Gabbardo já havia dito que o Ministério da Saúde estava em contato com o governo da Coreia do Sul para analisar se vai adquirir testes rápidos.

O país é um dos mais bem sucedidos em frear o avanço do vírus. Para isso, adotou uma campanha em massa de exames de diagnóstico. Foram mais de 222 mil até 11 de março. Mas, no Brasil, ao menos por enquanto, o Ministério da Saúde vai manter a orientação de que, nos locais com transmissão comunitária, onde não é possível identificar a origem da doença, os testes se concentrem nos casos graves apenas.

Croda disse que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou nesta terça-feira 5,5 mil testes, que não são do tipo rápido, e se comprometeu em abril a fazer entrega de mais 40 mil. Segundo ele, a Fiocruz também se comprometeu ao longo dos próximos quatro meses produzir mais de um milhão de testes.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro disse que vai fazer uma festa de aniversário pelos seus 65 anos. Questionado se isso seria recomendado, Croda respondeu:

— Depende de cada local em que está ocorrendo transmissão comunitária, transmissão local. Brasília, se não me engano, só tem transmissão local. Ainda é uma área sem transmissão comunitária importante. É importante que, em qualquer aglomeração, quem tenha sintomas não apareça no evento.

Já Gabbardo reclamou de perguntas que citam o presidente e pediu que os questionamentos sejam feitos de foram geral.