CoronaVac é eficaz contra a Covid-19, diz Instituto Butantan

Dimitrius Dantas
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Antonio Molina/Zimel Press / Agência O Globo

SÃO PAULO — A CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan contra o novo coronavírus, atingiu o 'limiar de eficácia' necessária na terceira e última fase de testes clínicos, o último passo necessário para o pedido de aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O anúncio foi feito pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e pelo secretário de Saúde do estado, Jean Gorinchteyn.

Os dados precisos de eficácia não foram divulgados a pedido da Sinovac, que quer divulgar os dados mundiais de forma unificada.

O plano do governo estadual é que a vacinação contra a Covid-19 comece no dia 25 de janeiro, caso o órgão federal autorize seu uso. Ao contrário do que estava previsto, entretanto, o governo de São Paulo não divulgou qual foi o índice de eficácia da vacina. Outros dois imunizantes, produzidos pela Pfizer e pela Moderna, tiveram eficiência superior a 90%.

— Os dados corroboram o que já sabíamos. É a vacina mais segura de todas as que estão em testes, com frequência muito baixa de reaçõesa adversas leves, principalmente dor no local da aplicação — afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Segundo ele, foi atingido o limiar da eficácia que permite o pedido de uso emergencial.

Inicialmente, os resultados estavam previstos para serem divulgados no dia 15, mas foram adiados para esta quarta-feira. Dessa vez, o novo adiamento ocorreu porque a Sinovac pediu para que o Instituto Butantan enviasse os dados para a China. O objetivo da empresa é unificar os resultados de testes na Turquia e na Indonésia e apresentar um índice de eficácia único.

— Essa solicitação da Sinovac tem respaldo no contrato e só podemos divulgar esse número em conjunto e vamos fazer no tempo oportuno — afirmou Dimas Covas.

A CoronaVac é feita com vírus inativado, uma estratégia em uso há décadas contra outras doenças e considerada bem estabelecida. Uma das vantagens da CoronaVac é a possibilidade de ser armazenada em temperaturas entre 2°C e 8° C.

O acordo do governo de São Paulo com a China garante 46 milhões de doses, suficientes para vacinar 23 milhões de pessoas. Seis milhões dessas doses vêm da China e outras 40 milhões serão fabricadas pelo Butantan até janeiro de 2021 com insumos importados dos chineses.

Nesta terça-feira, o governo de São Paulo anunciou que todo o estado voltará à fase vermelha e terá sua quarentena endurecida durante o Natal (25 a 27 de dezembro) e o Ano Novo (1 a 3 de janeiro).

Durante o período, apenas serviços essenciais poderão abrir, como serviços de saúde e supermercados. Bares e restaurantes permanecerão fechados, decisão que desagradou representantes do setor. No último mês, houve um aumento de 34% nas mortes causadas pela Covid-19 no estado.

Mais informações em instantes.