Coronavac: governo de São Paulo descarta dose única, mas discute adiar a segunda aplicação da vacina contra Covid-19

Ana Letícia Leão
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SÃO PAULO — Integrantes do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, formado por cientistas, médicos e professores que estão à frente da discussão sobre a pandemia no estado, descartaram a aplicação em dose única da CoronaVac, imunizante desenvolvido entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, ligado ao governo de SP.

Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, a discussão atual se baseia na possibilidade de adiar a aplicação da segunda dose da vacina. A estratégia, de acordo com especialistas, serviria para aumentar o número de pessoas vacinadas na primeira fase e ganhar tempo frente ao controle da pandemia.

— Não tem nenhuma lógica, nem procedência vacinar em apenas uma dose, está fora de questão. O que se discute é prolongar a ação da primeira. Isso porque a primeira dose aparece como uma proteção imediata, e a segunda é a que dá sustentação — explicou um dos especialistas da comissão técnica que compõe o Centro de Contingência.

A discussão, no entanto, ainda depende da aprovação da CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O imunizante ainda está em fase final de testes, e a expectativa é que os resultados sejam abertos nesta quinta-feira (7). A partir de então será feito o pedido para o uso emergencial e também o registro definitivo da vacina no Brasil, caso ela atenda os 50% de eficácia comprovada.

A proposta atual da CoronaVac, inclusive a que foi testada em mais de 13 mil voluntários no país, é aplicar duas doses em um intervalo de 14 dias. A possibilidade de ampliar o espaçamento da vacinação é algo comum no enfrentamento epidemias, apesar de ainda serem necessários estudos no caso da CoronaVac.

— Isso é algo sempre discutido em qualquer vacinação. Em alguns casos, atrasar a segunda dose não diminui a imunidade. Em outros, até aumenta, como na hepatite B. Em algumas, o resultado é melhor ainda quando aumenta-se o espaçamento em seis meses. Mas é algo que ainda precisa ser estudado (no caso da CoronaVac). Essas coisas existem na vacinologia, mas é óbvio que não sabemos nada disso ainda sobre o coronavírus. São detalhes muito específicos — alertou o mesmo especialista.

Reino Unido retarda aplicação da segunda dose

A discussão sobre adiar a segunda dose da CoronaVac no Brasil vem na esteira do que está ocorrendo em outros países. No Reino Unido, por exemplo, a segunda dose, antes prevista para 28 dias depois da primeira, só será aplicada quatro meses depois. Alemanha e Dinamarca também anunciaram que estudam adiar a vacinação da segunda dose para imunizar o maior número de pessoas na primeira dose.

Nesta quinta-feira, data prevista para a entrega dos resultados finais da CoronaVac, o governo de SP deve pedir o registro emergencial do imunizante à Anvisa. O órgão regulador tem, então, até dez dias para dar um parecer sobre o uso no Brasil. A expectativa do governo é começar a imunização em São Paulo em 25 de janeiro.