Coronavírus: 6,8 milhões de testes comprados pelo governo perderão validade

Colaboradores Yahoo Notícias
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Brazilian President Jair Bolsonaro (L) and Brazilian Health Minister Eduardo Pazuello attend a ceremony to launch the Genomas Project at Planalto Palace in Brasilia on October 14, 2020. - The Genomas Project aims at making a population study to identify rare diseases by sequencing the DNA of 100,000 Brazilians. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro (L) and Brazilian Health Minister Eduardo Pazuello attend a ceremony to launch the Genomas Project at Planalto Palace in Brasilia on October 14, 2020. - The Genomas Project aims at making a population study to identify rare diseases by sequencing the DNA of 100,000 Brazilians. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Quase 7 milhões de testes para o novo coronavírus, comprados pelo Ministério da Saúde por R$ 290 mi, perderão a validade entre dezembro deste ano e janeiro de 2021. Até este domingo (22), o Brasil registra 169.016 mortes e 6.052.150 casos confirmados, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, 6,86 milhões de exames RT-PCR estão estocados em um armazém do governo federal em Guarulhos (SP), porém não foram distribuídos para a rede pública. A quantidade supera o total de testes aplicados até hoje pelo SUS (5 milhões). Ao todo, o governo investiu R$ 764,5 milhões. O lote encalhado tem validade de oito meses.

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O Ministério da Saúde diz que só entrega os exames quando há pedidos dos estados. Secretários estaduais e municipais de Saúde rebatem afirmando que não usaram todos os testes pois receberam kits incompletos para o diagnóstico, com número reduzido de reagentes usados na extração do RNA, tubos de laboratório e cotonetes para a coleta. Também veem dificuldade para processar amostras e armazenar grandes quantidades de produtos.

O RT-PCR é um dos exames mais eficazes para diagnosticar a Covid-19. A coleta é feita por meio de um cotonete aplicado na região nasal e faríngea (na garganta, atrás do nariz e da boca) do paciente. Na rede privada, o exame custa de R$ 290 a R$ 400.

Os dados sobre o prazo de validade dos testes em estoque estão registrados em documentos internos do Ministério da Saúde, com compilação de dados até o último dia 19. Relatórios acessados pela reportagem indicam que 96% dos 7,15 milhões dos exames encalhados vencem em dezembro e janeiro. O restante, até março.

A pasta federal pediu ao fabricante análise para prorrogar a validade dos produtos. A falta de outros componentes para realizar testes, um dos problemas que travam o fluxo de distribuição, porém, deve continuar.

Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não deu detalhes sobre como a validade do produto pode ser renovada, mas informou que a entrega de testes vencidos é uma infração sanitária. O Ministério da Saúde disse que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) está realizando estudo “para verificar a estabilidade de utilização dos testes”. Os testes foram comprados pelo governo federal por meio da organização. O resultado da análise deve sair na próxima semana, diz a pasta.

Questionado sobre o que fará para entregar os testes antes de vencer a validade, o ministério apenas declarou que distribui os exames a partir de demandas dos estados.