Coronavírus: Brasil tem 77 mortes, mas o que acontece com os corpos?

Camas alinhadas em hospital militar construído no leste da França. (Foto: AP Photo/Jean-Francois Badias)

O Brasil chegou ao primeiro mês da pandemia do novo coronavírus com um balanço de mais de 2,9 mil casos confirmados e 77 mortes em decorrência da Covid-19. Mas quais são as recomendações sobre os velórios e sepultamentos dessas vítimas?

Eles podem ser enterrados ou devem ser cremados? Velórios com a presença de parentes são autorizados? O que fazer se o óbito acontece em casa?

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As regras para esses procedimentos foram definidas pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (25) - quando o Brasil já tinha confirmado até então 59 óbitos - e constam no manual de manejo dos corpos no contexto da Covid-19, com as diretrizes, passos e precauções a serem tomadas.

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A pasta deixa claro no documento que é possível sim a contaminação através do contato com os corpos de vítimas da doença por exposição a sangue e fluidos corporais infectados, objetos ou outras superfícies ambientais contaminadas, sobretudo nos hospitais e unidades de saúde.

O ministério chega a recomendar que profissionais de saúde que integrem o grupo de risco para a Covid-19 não sejam expostos às atividades relacionadas ao manejo de corpos de casos confirmados ou sequer suspeitos.

Para evitar o contágio, é recomendado que os profissionais de saúde façam uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) como gorro; óculos de proteção ou protetor facial; avental impermeável de manga comprida; máscara cirúrgica; luvas e botas impermeáveis.

Somente um único familiar fará o reconhecimento do corpo e, durante o processo, precisará ficar a 2 metros do corpo e de maneira nenhuma poderá tocá-lo Dependendo da estrutura do local, recomenda-se que o reconhecimento seja feito por fotos.

Após o reconhecido, o corpo recebe três camadas de proteção: um lençol, um saco impermeável próprio para evitar vazamento de líquidos e secreções, e um segundo saco externo, que deverá, ao final do processo, ser limpo e desinfetado. Nesse último saco, é afixada a informação relativa ao risco biológico: COVID-19, agente biológico classe de risco 3.

Na chegada ao necrotério, o funcionário deverá alocar o corpo em compartimento refrigerado e sinalizado como COVID-19 para, em seguida, lacrar o corpo em uma urna que será entregue aos familiares ou responsáveis. Após lacrada, a urna não deverá ser aberta.

O transporte do serviço funerário deverá, segundo o ministério, ser avisado que trata-se de um paciente vítima do novo coronavírus para que possa adotar as medidas de precaução. Não é necessário um veículo especial para transporte do corpo, nem o uso de EPIs pelos motoristas desde que os mesmos não tenham contato com o corpo.

Funcionários do serviço funerário espanhol utilizando luvas e máscaras de proteção para transporte do corpo (Foto: Oscar Del Pozo / AFP via Getty Images)

ÓBITOS EM CASA OU LOCAIS PÚBLICOS

O ministério também elaborou recomendações em casos de mortes de pacientes - com casos confirmados ou suspeitos - em residências ou casas de acolhimento. O primeiro passo é avisar aos familiares para não manipularem o corpo e evitarem o contato direto.

A retirada do corpo da residência deverá ser feita apenas por equipe de saúde, orientada a usar os mesmos EPIs que seriam utilizados em uma unidade de saúde.

De maneira nenhuma a vítima da Covid-19 deverá ser retirada ou transportada por familiares ou vizinhos. Após a remoção, será preciso desinfectar os ambientes e objetos da casa.

Para mortes em vias ou locais públicos, como ruas ou praças, a pasta recomenda que as autoridades locais orientem para que ninguém realize manipulação ou o contato com os corpos, e que sejam seguidas as mesmas observações de segurança e procedimentos dos óbitos em casas.

VELÓRIOS E FUNERAIS

Os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da Covid-19 não são recomendados devido à aglomeração de pessoas em ambientes fechados.

Caso seja vontade da família realizar, a pasta recomenda manter a urna funerária fechada durante todo o velório e funeral, evitando qualquer contato como toque ou beijo com o corpo.

O caixão deverá ser disposto em um local aberto e ventilado, e com água, sabão, papel toalha e álcool em gel a 70% para higienização das mãos durante todo o velório.

A presença de pessoas do grupo de risco para a Covid-19 no funeral é severamente contraindicado pelo ministério, assim como de pessoas que estejam apresentando sintomas da infecção pelo Sars-CoV-2.

É proibido a disposição de alimentos no velório. No caso de bebidas, deve-se atentar para o não compartilhamento de copos. Recomenda-se que o enterro ocorra com no máximo 10 pessoas, não pelo risco biológico do corpo, mas sim pela contraindicação de aglomerações, lembrando ainda de respeitar a distância de 2 metros entre os presentes.

Os corpos das vítimas poderão tanto serem enterrados quanto cremados.

A Prefeitura de São Paulo tem orientado os familiares das vítimas da Covid-19 a não realizar velório. Caso queiram realizá-lo, são informados de que o acesso às salas está restrito a até 10 pessoas, com 1 hora de duração e em urna fechada. Para casos suspeitos ou confirmados, há salas de velório específicas em cada necrópole e os velórios noturnos foram suspensos.

Em 4 dias, as mortes por coronavírus no estado de São Paulo crescem 164%, saltando de 22 para 58, das quais somente uma vítima era do interior. As outras 57 são de municípios da Grande São Paulo.

QUEM SÃO OS MORTOS POR COVID-19 NO BRASIL?

Dados divulgados pela pasta do ministro Luiz Henrique Mandetta indicam que, até agora, os óbitos concentram-se na população com idades entre 70 e 99 anos, mas com ocorrências fatais em vítimas na casa dos 30 aos 59. Do total, 68% das vítimas fatais eram homens, enquanto a porcentagem de vítimas mulheres é de 32%.

As comorbidades mais presentes entre os mortos pelo novo coronavírus no Brasil são cardiopatia, diabetes, pneumopatia e alguma forma de imunodepressão, seguido de doença renal crônica.