Coronavírus: Brasil tem 6 mil profissionais de saúde infectados por falta de EPIs, diz associação

João Conrado Kneipp
·4 minuto de leitura
SAO PAULO, BRAZIL - APRIL 23: A cleaning crew gets ready to disinfect the streets of Paraisopolis Favela as a preventive measure against the coronavirus (COVID-19) pandemic on April 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. Paraisopolis is the second largest favela in the city of Sao Paulo housing more than 100 thousand people. According to the Brazilian Health Ministry, Brazil has 49.492 positive cases of coronavirus (COVID-19) and a total of 3.313 deaths. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)
Denúncia foi feita pelo vice-presidente da Associação Médica Brasileira nesta quarta. (Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)

Cerca de 6 mil profissionais de saúde no Brasil já foram contaminados pelo novo coronavírus por conta da falta dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) durante os atendimentos. Na terça-feira (28), o ministro da Saúde, Nelson Teich, reconheceu a dificuldade do país em adquirir os itens de proteção para repassar aos estados.

A denúncia sobre o número de profissionais já infectados foi feita pelo vice-presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), Diogo Sampaio, durante uma audiência da Comissão Externa do Coronavírus, nesta quarta-feira (29), na Câmara dos Deputados.

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“A falta de EPIs não só ocasiona a doença nos profissionais de saúde, como também pode gerar um colapso do sistema. O profissional de saúde passa a ser um vetor de transmissão”, alertou Sampaio.

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De acordo com ele, os números de afastamentos dos profissionais de saúde são preocupantes. No Amazonas já são 400 profissionais nessa situação; em Pernambuco, 1,3 mil profissionais; no Rio de Janeiro são 1,8 mil servidores da Saúde, e em São Paulo, 3,2 mil profissionais afastados devido à pandemia.

Esses são também os estados citados pelo Ministério da Saúde como os com quadro mais preocupante da Covid-19 no país.

Os números, de acordo com Sampaio, foram colhidos pela AMB com os estados e municípios e pela plataforma disponibilizada no site da associação para denúncias e reclamações sobre a falta de EPIs para os profissionais de saúde

Os remanejamentos na área da Saúde para irrigar os caixas estaduais e municipais já somam R$ 5 bilhões, mas de acordo com os secretários os recursos têm sido usados para reorganizar e expandir o sistema de saúde com UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e construção de hospitais de campanha.

O secretário executivo do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), Jurandi Frutuoso, apresentou a estimativa do que os 920 mil trabalhadores diretamente envolvidos no combate ao coronavírus precisam para os próximos 3 meses:

  • 21 milhões de unidades de aventais hospitalares (dos quais 675 mil já foram enviados)

  • 222 milhões luvas látex de todos os tamanhos (das quais 15,8 milhões já foram compradas)

  • 36 milhões de luvas de procedimentos nitrílicas (das quais 6,4 milhões já foram compradas)

  • 15,91 milhões de máscaras de proteção respiratórias (das quais 1,2 milhão já foram entregues)

  • 62 milhões de máscaras triplas (das quais 21 milhões já foram entregues)

  • 2 milhões de óculos de proteção (das quais 59 mil já foram enviados)

  • 452 mil barreiras de proteção facial em acrílico (nenhuma foi enviada ainda)

  • 32 milhões de toucas hospitalares (das quais 12,6 milhões já foram enviadas)

“O vírus está sendo muito mais rápido que nós”, afirmou Frutuoso durante a reunião.

Sem a compra desses itens, profissionais da saúde têm improvisado e racionado os equipamentos de proteção. Walkírio Almeida, chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), afirmou que as improvisações incluem até mesmo capas de chuva como aventais.

TEICH RECONHECE DIFICULDADE

Na terça, o ministro da Saúde reconheceu a dificuldade do Brasil para comprar EPIs para distribuir aos estados. “É uma situação difícil e sabemos o quão complicado está sendo conseguir recursos como respiradores e EPIs. Esse é um problema não só nosso e sim mundial, concorremos com o mundo inteiro contra isso. Esse tem sido o nosso grande problema para podermos estruturar os sistemas de saúde (dos estados)”, destacou o ministro.

Os secretários participaram nesta quarta da primeira reunião com Teich, 12 dias após a posse dele como novo ministro da Saúde. O encontro ocorre após secretários estaduais de saúde reclamaram, nesta semana, do isolamento de Teich desde que integrou o governo de Jair Bolsonaro.

Ao todo, o Brasil tem 5.466 mortes em decorrência do novo coronavírus, além de 78.162 casos confirmados. A taxa de letalidade do vírus é de 7%. Foram registradas 449 novas mortes nas últimas 24 horas, além de confirmados mais 6.276 casos novos - o maior número de infectados já registrados em 24 horas desde o início da pandemia.