Coronavírus: Espanha transforma pista de patinação no gelo em necrotério

(Denis Doyle/Getty Images)

Na Espanha, o segundo país mais afetado da Europa pela COVID-19 depois da Itália, a epidemia não recua e o número de mortos já passa dos dois mil. Deste total, 462 foram registrados nas últimas 24 horas o dia mais letal desde o início da epidemia. O governo repete que os dias mais difíceis ainda estão por vir.

"Parece que vai abrandando progressivamente o aumento de casos que vemos a cada dia. No entanto, ainda não temos certeza de ter chegado ao pico", disse o diretor de emergência sanitária, Fernando Simón.

Leia também

As autoridades transformaram uma pista de patinação no gelo de um shopping center de Madri em um necrotério para armazenar corpos de falecidos por causa do novo coronavírus. Por outro lado, a ministra da Defesa, Margarita Robles, anunciou que o Exército tinha encontrado em casas de idosos "idosos absolutamente abandonados, quando não mortos em suas camas".

"Começaram os trabalhos para permitir que as instalações cedidas no Palácio de Gelo sejam preparadas para receber corpos e, assim, facilitar o trabalho dos serviços funerários nessa situação excepcional", informou o governo regional de Madri.

Esta é "uma medida temporária e extraordinária que visa fundamentalmente mitigar a dor das famílias das vítimas e a situação registrada nos hospitais de Madri", acrescentou.

A prefeitura de Madri indicou na segunda-feira que a companhia funerária municipal já não era mais capaz de receber cadáveres porque não possuía equipamento de proteção para seu pessoal.

A pista de patinação está localizada perto do Ifema, um centro de convenções transformado em hospital de campanha com 1.500 leitos e que pode receber 5.500 pessoas.

Espanha vive seu dia mais letal, mas espera se aproximar do "pico" de contágios

Quase 60% das mortes se concentram na região de Madri, a mais impactada pela epidemia, que ante a saturação de seus serviços funerários decidiu habilitar como necrotério a pista de patinação no gelo de um shopping center da capital espanhola.

Os contágios também aumentaram, embora de forma mais moderada. No último balanço passaram de 28.572 a 33.089, consolidando a Espanha como o segundo país mais castigado da Europa atrás da Itália.

"Parece que se vai suavizando progressivamente o aumento de casos que observamos a cada dia. No entanto, ainda não temos certeza de ter chegado ao pico", disse o diretor de emergência sanitária Fernando Simón, esperando alcançar este ponto esta semana.

Mas, "chegar ao pico significa que temos que dobrar os esforços", visto que provocará maior pressão nos hospitais, quando os novos pacientes se unirem aos que ainda estão em tratamento, advertiu.