Coronavírus infecta neurônios e atinge o cérebro, indica estudo dos EUA

Colaboradores Yahoo Notícias

Pesquisa da Universidade de Yale (EUA) aponta que o novo coronavírus prejudica a atividade cerebral, além de atingir os pulmões, os rins, o fígado e os vasos sanguíneos.

O estudo, divulgado na última quarta-feira (9) e publicado pelo jornal The New York Times, oferece a primeira evidência de que, em algumas pessoas, o causador da Covid-19 “sequestra” os neurônios para se multiplicar, mas não os destrói. Em vez disso, sufoca as células absorvendo todo o oxigênio ao redor dos tecidos neurológicos, até matá-las.

Metade dos pacientes pesquisados relataram sintomas como dores de cabeça, confusão e delírio. “Se o cérebro for infectado, pode ter uma consequência letal”, disse Akiko Iwasaki, imunologista da universidade norte-americana.

Ainda não está claro como o vírus chega ao cérebro ou a frequência desse rastro de destruição nos neurônios. Os cientistas recorreram a imagens cerebrais e nos sintomas dos pacientes para deduzir efeitos sobre o sistema neurológico.

“Não tínhamos visto muitas evidências de que o vírus pode contaminar o cérebro, embora soubéssemos que era uma possibilidade potencial”, afirmou Michael Zandi, neurologista consultor do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia da Grã-Bretanha. “Esses dados apenas fornecem mais evidências de que efetivamente pode infectá-lo.”

Em julho, Zandi e sua equipe publicaram pesquisas mostrando que alguns pacientes com Covid-19 desenvolveram complicações neurológicas graves, incluindo danos nos nervos.

No novo estudo, Iwasaki e seu time de pesquisadores documentaram a infecção neurológica de três maneiras: no tecido cerebral de uma pessoa que morreu de Covid-19, em um tipo de camundongo e em organoides (agrupamentos de células cerebrais em uma placa de laboratório destinada a imitar a estrutura tridimensional do cérebro).

O coronavírus parece diminuir rapidamente o número de sinapses, as conexões entre os neurônios. “Dias após a infecção, já observamos uma redução dramática na quantidade de sinapses”, sublinhou Alysson Muotri, neurocientista da Universidade da Califórnia, que também estudou o zika vírus. “Não sabemos ainda se isso é reversível ou não.”