Coronavírus: Lula critica falta de atuação de Bolsonaro na crise com a China

Lula criticou falta de ação de Bolsonaro na crise com a China. (Foto: FABRICE COFFRINI/AFP via Getty Images)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da última polêmica envolvendo Brasil e China e seus reflexos nas ações de combate à pandemia do novo coronavírus.

O petista afirmou, em sua rede social nesta terça-feira (7), que “se Bolsonaro fosse sério” já teria pedido uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping. “O Bolsonaro se fosse sério já teria pedido uma reunião com o Xi Jinping e a China poderia ajudar o Brasil como está ajudando outros países. Mas não, ele prefere deixar o filho dele e o ministro da Educação falando bobagem”, postou Lula no Twitter.

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No comentário, o ex-presidente se refere ao ataque xenófobo do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que postou e apagou uma chacota envolvendo a China, nesta semana.

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Weintraub fez um tweet em que trocou as letras "r" por "l", ridicularizando a forma como chineses falam português. Para ofuscar a crítica pejorativa, chamou a China de "Cebolinha", personagem do cartunista Mauricio de Sousa que confunde as mesmas letras, e compartilhou uma imagem da Turma da Mônica na Grande Muralha da China.

"Geopolíticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?", escreveu Weintraub.

O ministro é o segundo integrante do governo a tentar provocar uma crise diplomática com a China, maior parceira comercial do Brasil. Em março, o filho do presidente e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), acusou o governo chinês de ser o responsável pela pandemia do novo coronavírus ao esconder informações.

Na segunda-feira (6), a Embaixada da China no Brasil respondeu que a publicação de Weintraub foi difamatória e racista ao associar a origem da COVID-19 à China. “Tais declarações são completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil. O lado chinês manifesta forte indignação e repúdio a esse tipo de atitude”, declarou a Embaixada.

Em resposta, a Embaixada pede ainda que “alguns indivíduos do Brasil corrijam imediatamente os seus erros cometidos e parem com acusações infundadas contra a China”.

REAPROXIMAÇÃO COM A CHINA

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a afirmar nesta terça-feira que o governo tem encontrado dificuldades no mercado externo para comprar equipamentos e insumos hospitalares para abastecer estoques de hospitais brasileiros em meio à pandemia do Covid-19, e disse que pediu ajuda da embaixada chinesa para concretizar negociações com empresas do país.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Mandetta detalhou iniciativas que o governo tem tomado para estreitar a relação com a China, país que é o principal fornecedor mundial desses equipamentos e que foi o primeiro epicentro do novo coronavírus.

O ministro da Saúde disse que ainda nesta terça teria uma teleconferência "muito importante" com a China a fim de trazer 40 milhões de máscaras adquiridas daquele país. Ele disse que as negociações que estão sendo feitas vão garantir um abastecimento "razoável".

"Continuamos com dificuldade no mercado chinês para garantir essas compras", disse Mandetta, acrescentando que também está buscando recorrer a fornecedores internos. Mandetta ressaltou que o governo tem encontrado "problemas sérios" em relação aos respiradores, uma vez que ainda não está confirmada compra de equipamentos feita no exterior.

com informações da Reuters e FolhaPress