Chegada do coronavírus nas favelas preocupa e deve acentuar desigualdade social

Grasielle Castro

Desde que os alertas sobre a pandemia de coronavírus se intensificaram já faltou água na Cidade de Deus, uma das maiores favelas da zona oeste do Rio de Janeiro, pelo menos duas vezes. Sem água, o ato de lavar as mãos, cuidado básico para evitar a infecção pelo vírus, se torna um luxo e o risco de a doença se espalhar aumenta. 

Nas favelas e comunidades mais vulneráveis do País, não raro faltam itens básicos de higiene e as recomendações de isolamento social são incompatíveis com a realidade das famílias. O cenário preocupa diante do avanço do número de casos de covid-19 e, para especialistas, a pandemia tende a acentuar ainda mais a situação de fragilidade e de desigualdade social.

“Estamos pedindo e distribuindo itens básicos de higiene, porque tem casa que simplesmente não tem”, conta a estudante Samantha Messiades, 31 anos. Mãe de dois filhos e integrante da Associação de Moradores da Cidade de Deus, ela teve a vida duramente impactada pela pandemia, especialmente pela separação dos filhos. 

“Vejo meus filhos pelas grades da casa da minha mãe”, conta. Os dois, com idade entre 6 e 11 anos, estão aos cuidados da avó porque Samantha é uma das pessoas que está na linha de frente das ações de solidariedade na comunidade e segue circulando pela cidade. “Esses dias recolhi itens de higiene para a amiga de uma vizinha que está com covid-19. Ela está em isolamento absoluto e não tinha as coisas básicas para se manter”, diz.  

Esses dias recolhi itens de higiene para a amiga de uma vizinha que está com covid-19. Ela está em isolamento absoluto e não tinha as coisas básicas para se manter.Samantha Messiades, moradora da favela Cidade de Deus

A chegada do vírus nas favelas, como temiam as autoridades de saúde do País, já aconteceu. Além da Cidade de Deus, há casos confirmados em outras três favelas: dois em Manguinhos, um na Parada de Lucas e um no Vidigal. 

Samantha relata que a amiga contaminada pelo...

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