Coronavírus: testes rápidos de farmácia são confiáveis? Quando fazer?

(TARSO SARRAF/AFP via Getty Images)

Por Luísa Costa

Desde o fim do mês de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou que farmácias e drogarias realizem testes rápidos para o novo coronavírus. Na prática, os exames deixam de ser feitos exclusivamente em hospitais e clínicas médicas.

Em testes aplicados em ambiente hospitalar, o exame (PCR) detecta o material genético do vírus. Já os realizados em drogarias mostram se o paciente adquiriu anticorpos quando foi exposto ao coronavírus. Isto é, se em algum momento teve contato com Sars-CoV-2. 

Karina Soeiro, farmacêutica e mestre em ciências farmacêuticas pela USP (Universidade de São Paulo), explica que o exame não é considerado um teste de diagnóstico, mas é eficaz para pessoas que estão com sintomas há alguns dias ou tiveram contato com pacientes que têm covid-19. “Só quem pode fazer dar o diagnóstico é o médico”, explica. Soeiro ressalta ainda que o teste é seguro e sempre realizado por um profissional de saúde.

Como funciona o teste rápido?

Ele precisa ser agendado na farmácia e é feito por um profissional do local com o paciente no carro ou devidamente protegido com máscaras. O exame é realizado com uma picada no dedo da pessoa, semelhante a um teste de diabetes. A amostra é colocada numa cápsula e depois encaminhada para uma análise clínica em um laboratório. Depois de meia hora, o resultado já está disponível. 

Diferença entre o PCR e testes feitos em farmácia

As diferenças estão na forma como é coletado, tempo de análise e na amostragem. 

PCR

O teste mais comum e feito nos hospitais é conhecido como PCR. A coleta é feita com um cotonete, recolhendo a secreção mucosa da boca e do nariz. A amostra é enviada a um laboratório onde é detectado o material genético do vírus. 

O resultado demora pelo menos quatro horas para ficar pronto. Nesse tipo de exame, procura-se o material genético do vírus nas secreções das vias respiratórias, sendo por isso o teste mais específico para a detecção de uma possível infecção.

Teste rápido

O sangue é coletado do paciente, como se fosse um teste de glicemia, e depois encaminhado para um laboratório de análise. O resultado fica pronto após 30 minutos ou até menos. 

Esse tipo de teste é considerado sorológico, já que busca a presença de anticorpos no sangue do paciente. A sorologia vai buscar o anticorpo IgM, que é comum na fase aguda da doença (geralmente entre o quarto e quinto dia) e o IgG, que aparece na fase crônica da covid-19 (entre 13º-14º), indicando que o organismo produziu algum nível de memória de anticorpo em relação ao vírus. 

Segundo Igor Marinho, infectologista do HC-SP (Hospital das Clínicas de São Paulo) e coordenador médico do hospital AACD, testes sorológicos também são realizados em hospitais, mas a principal diferença é que, nesse tipo de exame, os resultados são mais específicos, com a capacidade de identificar a quantidade dos anticorpos igG e o igM. Além disso, existe uma definição melhor em que fase da doença o paciente está.

Mas quando fazer o teste? É seguro?

Vale lembrar que mesmo tendo a possibilidade de realizar o teste na farmácia, o indicado é que o paciente realize o coleta depois de, pelo menos, sete dias dos primeiros sintomas ou que esteve em contato com alguém que foi contaminado. 

Isso porque, por ser um teste sorológico é necessário de um tempo para que o indivíduo crie uma resposta imunológica ao vírus. “O exame é seguro, mas existe uma heterogeneidade de testes e alguns podem dar falso negativo. Por isso mesmo estando com coriza, cefaleia ou outros sintomas, o recomendado é esperar esse número de dias para um diagnóstico mais preciso”, afirma Marinho. 

“Ele é recomendado principalmente se você não tem sintoma, mas teve contato com alguém infectado. No entanto, a sorologia negativa não descarta que você não esteja com o vírus. Por isso deve-se respeitar o número mínimo de dias”, diz Raquel Muarrek, infectologista da Rede D'or.

A especialista ressalta ainda que o teste pode ajudar caso a pessoa tenha receio de ir a um hospital nesse momento e queira identificar o coronavírus. Realizar o exame também permite que o paciente tenha mais cuidado e, caso esteja com sintomas leves e receba o resultado positivo, realize o isolamento de forma segura e sem contaminar outras pessoas.