Coronavírus: vacina contra a gripe ajuda em tempos de pandemia, mas inspira cuidados

Vacinação contra a gripe 'afunila' casos de Covid-19, mas demanda cuidados. (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

A antecipação da campanha nacional de vacinação contra a gripe em todo o país, iniciada na segunda-feira (23) e com foco nos idosos, foi uma das formas encontradas pelo governo federal para tentar frear o avanço da pandemia do novo coronavírus.

A vacina não tem eficácia contra a Covid-19, porém, auxilia os profissionais de saúde na exclusão do diagnóstico para coronavírus, uma vez que os sintomas das duas doenças são parecidos. No entanto, a convocatória para que idosos - considerados grupo de risco do coronavírus - se enfileirem em postos de saúde para receber as doses requer cuidados.

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“A vacina contra a Influenza é importantíssima, até porque a doença gera quadros graves como pneumonia e até morte. Agora, a maneira como essa medida é implementada é que é complicada em tempos de pandemia”, explica o infectologista Rico Vasconcelos, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

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O infectologista detalha que, tradicionalmente, a campanha nacional de vacinação é aberta em abril devido à chegada do outono no Hemisfério Sul, época em que as doenças respiratórias causadas por vírus costumam ter uma incidência maior devido ao frio.

A transmissão comunitária do novo coronavírus no Brasil ajudou a “embaralhar” os diagnósticos, já que a gripe possui sintomas similares aos da Covid-19. A campanha de vacinação vem, segundo Rico, desembaralhar e facilitar a detecção de um caso real do novo vírus.

“Sintomas gripais como tosse, febre, falta de ar e congestão nasal são sintomas que fazem a pessoa ficar atenta para Covid-19. Se você diminui a quantidade de vírus que causam sintomas semelhantes você consegue diminuir o número de pessoas que estariam preocupadas de estar com Covid-19 caso apresentem esses sintomas”.

Na forma mais direta, quem se vacinou contra a gripe e tiver apresentado esses sintomas tem mais chance de, de fato, ter sido infectado pelo novo coronavírus.

O infectologista aproveita para alertar novamente que ainda não há vacina contra o novo coronavírus.

OS RISCOS E AS SOLUÇÕES

No entanto, a dúvida foi como fazer com que os idosos venham até os postos de saúde receberem as vacinas contra a Influenza sem colocá-los em risco de se infectarem com o novo coronavírus. “Uma vez que temos uma pandemia circulando por aí, os serviços de saúde estão encontrando maneiras de diminuir os riscos para esses idosos”, afirma Rico.

A saída foi adotar medidas criativas como o drive-thru de vacinação, como no próprio Hospital das Clínicas e em centenas UBS (Unidades Básicas de Saúde) em São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns locais montaram pontos extras de vacinação como em quadras esportivas e espaços abertos, enquanto outros preferiram adotar horários alternados para o comparecimento dos idosos.

Vacinação via 'drive-thru' foi uma das opções adotadas para driblar os riscos da infecção. (Foto: Daniel Castellano / Prefeitura de Curitiba)

“O HC, assim como outros lugares no Brasil, montou um drive-thru em que o idoso passa de carro, toma a vacina e vai embora. Não precisa descer nem nada. Cada serviço está fazendo isso de um jeito, organizando a fila de espera com demarcações no chão com a distância mínima de 1,5m entre as pessoas”, detalha Rico.

O importante, explica ele, é se vacinar. “Você não está acabando com outros vírus respiratórios, mas está diminuindo o Influenza. Em momento nenhum nós vamos indicar que não precisa se vacinar, tem sim. O pior é não vacinar”.

A CAMPANHA DE VACINAÇÃO

O Ministério da Saúde começou, na segunda, a 1ª fase com foco nos idosos e profissionais da saúde, e seguirá até 15 de março. Para evitar o contato de crianças e idosos neste período, a pasta pede que pais e responsáveis não levem as crianças aos postos de saúde para vacinação de rotina

Serão realizadas mais duas fases em datas e para públicos diferentes, alcançando cerca de 67,6 milhões de pessoas em todo o País. A meta é vacinar, pelo menos, 90% de cada um desses grupos, até o dia 22 de maio. O dia “D” de mobilização nacional para a vacinação acontece no dia 9 de maio.

A fase seguinte da campanha terá início no dia 16 de abril com objetivo de vacinar doentes crônicos, professores (rede pública e privada) e profissionais das forças de segurança e salvamento. A última fase, que começa no dia 9 de maio, priorizará crianças de 6 meses a menores de 6 anos, pessoas com 55 a 59 anos, gestantes, puérperas (mães até 45 dias após o parto), pessoas com deficiência, povos indígenas, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.

CASOS DE INFLUENZA NO BRASIL

Em 2020, até dia 14 de março, foram registrados 165 casos e 13 óbitos por Influenza A (H1N1), 139 casos e 14 óbitos por Influenza B e 16 casos e 2 óbitos por Influenza A (H3N2). O estado de São Paulo concentra o maior número de casos de H1N1, com 42 casos e 2 óbitos. Em seguida, estão a Bahia (40 casos e 3 óbitos) e o Paraná (20 casos e 5 óbitos). No ano passado, o país registrou 5.800 casos e 1.122 óbitos pelos três tipos de influenza.