Coronel amigo de Temer tentou esconder celulares no sofá antes de ser preso

Aparelhos foram encontrados escondidos sob a almofada do sofá do ex-policial militar. (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Antes de ser detido por integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato, o coronel reformado da PM (Polícia Militar) João Baptista Lima Filho tentou esconder da Polícia Federal dois celulares embaixo da almofada do sofá de sua casa.

As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Amigo pessoal e figura-chave na carreira política de Michel Temer (MDB), o ex-PM foi preso juntamente com o emedebista nesta quinta-feira (21), acusado pelos investigadores da Polícia Federal de ser intermediário de propinas repassadas ao ex-presidente por contratos para construção da Usina de Angra 3.

A tentativa de esconder os celulares, entretanto, foi em vão e os aparelhos já estão sob posse da Polícia Federal. A mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, também foi detida na operação policial.

O coronel atuou na coordenação de todas as campanhas de Temer desde 1986, inclusive dando conselhos sobre seu discurso, que muitas vezes não era o mais adequado na opinião do PM aposentado. Ele também foi assessor do ex-presidente quando ele atuava na Secretaria da Segurança Pública nos governos Franco Montoro (1983-1987) e Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1995).

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Lima chamou a atenção das autoridades quando dois executivos da JBS afirmaram, em acordo de delação premiada, que a empresa deu R$ 1 milhão para o coronel em 2014, como parte de um suposto acordo entre Temer e Joesley Batista.

A fazenda Esmeralda, que serviu de refúgio para Temer em algumas ocasiões, foi comprada por Lima em 1989, dois anos após ele obter o registro de arquiteto. Ele afirma ter feito pós-graduação em arquitetura na USP, mas a FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) garante que ele não estudou na instituição.

Junto com a empresa Argeplan Engenharia, também proprietária da fazenda, Lima cedeu cerca de R$ 100 mil para financiar a campanha do emedebista em 1994. O montante é equivalente a cerca de R$ 500 mil em valores corrigidos.

O MST invadiu o local em maio de 2016 e acusou Lima de ser o “laranja” de Temer. O coronel afirmou que os boatos eram de um “sujeito de língua comprida igual língua de dragão”. Ele entrou com uma queixa-crime contra a entidade por calúnia e difamação, além de denunciá-la como “organização criminosa”.

Quando completou 30 anos de serviço, o ex-PM pediu para sair da corporação na qual, há dois anos, recebia o salário de R$ 24 mil mensais. Em 2000, ele comprou um duplex de 446 metros quadrados, com seis vagas na garagem, na região do Morumbi. 

O valor venal da propriedade é de R$ 3,3 milhões, mas estima-se que no mercado o preço passe dos R$ 5 milhões. Em entrevista à Folha, em 2016, ele afirmou que precisaria “organizar seus impostos de renda” para saber como adquiriu a propriedade.