Coronel da reserva que xingou oficiais em ato terrorista é indiciado por injúria

Coronel da reserva Adriano Camargo Testoni gravou ofensas a oficiais do Exército durante atos golpistas do último dia 8 - Foto: Reprodução
Coronel da reserva Adriano Camargo Testoni gravou ofensas a oficiais do Exército durante atos golpistas do último dia 8 - Foto: Reprodução

O coronel da reserva Adriano Camargo Testoni, que participou dos atos golpistas que ocorreram no último domingo e divulgou vídeos nas redes sociais em que xinga oficiais da corporação, foi indiciado pelo Exército pelo crime de injúria contra integrantes do Alto Comando da Força Terrestre. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Militar, que analisará a conduta do reservista exonerado.

Nos atos terroristas que culminaram na depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília, o coronel divulgou duas gravações ao lado de uma mulher, identificada como sua esposa, em meio a multidão que cercava o Congresso Nacional.

— Bando de generais filhas da p***. Vão tudo tomar no c*. Vanguardeiros de merda. Covardes. Olha o que está acontecendo com a gente. Esse nosso Exército é uma merda. — disse Testoni em uma.

— Vergonha de ter passado 35 anos na caserna e ver agora o povo ser achincalhado. — afirmou ele em outra gravação.

Com a repercussão dos vídeos nas redes sociais, o militar foi exonerado, logo no início da semana passada, do cargo que ocupava no Hospital das Forças Armadas, como assessor da Divisão de Coordenação Administrativa e Financeira.

Também na semana passada, Adriano Camargo Testoni divulgou novo vídeo, no qual pediu desculpas pelas ofensas. O militar afirmou que estava sob "forte emoção" quando fez o registro e negou ter invadido os prédios públicos.

— Não invadimos nada, fomos contra a violência. Estávamos errados, no local errado. Mas se você vê um parente, uma pessoa que você ama ferida, sem conseguir enxergar, respirar... A emoção tomou conta. Todo mundo me conhece e sabe que eu não sou assim normalmente — justificou.

Na última sexta-feira, o Exército confirmou ao GLOBO que o coronel havia passado para a condição de investigado. Neste sábado, a corporação concluiu o primeiro inquérito policial militar instaurado para apurar as manifestações, o que resultou no indiciamento de Testoni.