Coronel Goita toma posse como presidente de transição do Mali

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O coronel Assimi Goita, em 18 de setembro de 2020 em Bamako

O coronel Assimi Goita foi empossado, nesta segunda-feira (7), como presidente do Mali pelo período de transição política após o qual o poder será devolvido aos civis, depois de dois golpes de Estado condenados pelos principais parceiros deste país, fundamental para a estabilidade da região africana do Sahel.

Depois de prestar juramento, em uniforme de gala perante o Supremo Tribunal, Goita declarou que deseja "assegurar às organizações sub-regionais e regionais e à comunidade internacional em geral que o Mali cumprirá os seus compromissos no melhor interesse da nação".

A cerimônia decorreu no Centro Internacional de Conferências de Bamako (CICB).

A posse de Goita é o momento de "assumir solenemente compromissos claros durante os restantes oito meses de transição", considerou um diplomata em Bamako no fim de semana, sob anonimato.

Os parceiros do Mali pedem garantias de que os militares entregarão o poder aos civis após as eleições marcadas para o início de 2022.

Para tranquilizar seus parceiros e a comunidade internacional, imediatamente nomeou um novo primeiro-ministro, Choguel Kokalla Maiga, um político veterano do M5 que tentou na sexta-feira passar tranquilidade, prometendo que seu país manterá seus compromissos internacionais.

Mas este ex-ministro de 63 anos também alertou contra "injúrias, sanções, ameaças, que só complicariam a situação".

As embaixadas ocidentais decidiram enviar "colaboradores" e não embaixadores a esta posse, o que constitui um "sinal político", mas não "um boicote ou sanção", segundo a fonte diplomática.

- Golpe duplo -

O Mali, que tem servido de base para o extremismo islâmico no Sahel, acaba de sofrer dois golpes em apenas nove meses, por Assimi Goita e seu grupo de coronéis.

No primeiro, derrubaram o presidente Ibrahim Bubacar Keita em 18 de agosto de 2020, fragilizado por um movimento de protesto liderado pelo Movimento de 5 de junho/Agrupamento de forças patrióticas (M5/RFP), um coletivo de opositores, religiosos e membros da sociedade civil.

A junta prometeu, sob pressão internacional, estabelecer um período de transição de 18 meses liderado por civis.

Mas, em 24 de maio, Goita atropelou o acordo ao prender o presidente e o primeiro-ministro de transição, ambos civis.

Em seguida, o militar foi declarado presidente de transição pelo Tribunal Constitucional.

Para o Mali, sem meios militares, cumprir os seus compromissos internacionais é uma questão crucial.

Após o último golpe, a França anunciou a suspensão das operações conjuntas com os militares do Mali, após oito anos de luta antijihadista.

Até nova ordem, a força Barkhane, que intervém no Sahel, não deixará suas bases para operações no Mali, embora, se houver ocasião, irá perseguir líderes jihadistas. Isso torna a situação regional preocupante.

Na quinta-feira, onze membros de uma comunidade tuaregue foram mortos por desconhecidos perto de Menaka (nordeste do Mali).

Na vizinha Burkina Faso, suspeitos de serem jihadistas mataram pelo menos 160 pessoas na madrugada de sábado, no pior massacre desde 2015 no país.

Além disso, os militares do Mali devem tranquilizar os ex-rebeldes da independência do norte, reunidos na Azawad (CMA), com os quais um acordo de paz foi assinado em 2015.

Depois de expressar relutância, eles decidiram apoiar este novo capítulo de transição e eram esperados para a posse.

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