Coronel indicado para Anvisa curtiu publicações em redes sociais contra OMS e CoronaVac

O Globo
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

BRASÍLIA — Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o coronel da reserva Jorge Luiz Kormann já apoiou publicações em redes sociais críticas à Organização Mundial de Saúde (OMS) e à CoronaVac, vacina em desenvolvimento contra a Covid-19.

Em sua conta no Twitter, Kormann curte com frequência mensagens de apoiadores de Bolsonaro, como o ideólogo Olavo de Carvalho e o blogueiro Allan dos Santos. Em setembro, ele curtiu duas publicações do jornalista Guilherme Fiuza. Em uma deles, Fiuza ironizou quem "acredita na parceria saudável da OMS com a ditadura chinesa". Em outra, o jornalista critica a estratégia de adotar o "lockdown" para diminuir o contágio do coronavírus.

Na semana passada, Kormann curtiu uma mensagem em que o empresário Leandro Ruschel afirma que o governador de São Paulo, João Doria, é um "China boy". O Instituto Butantan, que desenvolve a CoronaVac em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é vinculado ao governo de São Paulo.

Atualmente, Kormann é secretário-executivo adjunto no Ministério da Saúde. De acordo com a TV Globo, em junho ele compartilhou para um grupo de servidores do ministério um vídeo em que o empresário bolsonarista Luciano Hang colocou em dúvida as informações do próprio Ministério da Saúde sobre as mortes provocadas pelo coronavírus.

Na quinta-feira, o GLOBO mostrou que a indicação não foi bem recebida internamente e pegou servidores e até diretores de surpresa. A avaliação de servidores é que Kormann não conhece os trâmites da Anvisa e não entende sobre os procedimentos regulatórios. Há receio ainda de que o indicado do presidente traga visões conservadoras para dentro da agência.

Defesa de Bolsonaro

Apesar de continuar curtindo mensagem, a última publicação de Kormann foi em 2018. Quatro postagens do militar estão disponíveis: em duas ele defende Bolsonaro da denúncia de racismo, apresentada pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge, e nas outras duas ele interage com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Sobre a denúncia apresentada por Dodge em abril de 2018, Kormann escreveu "ridícula infame". Em outra publicação, disse que "seria forçar muito já q se trata de um comentário jocoso".