Coronel Nunes, envolvido em polêmica em 2018, volta ao comando da CBF

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A determinação do Conselho de Ética da CBF em afastar o presidente Rogério Caboclo, por 30 dias, a partir deste domingo, após uma funcionária da entidade acusá-lo de assédio sexual e moral, catapultará ao cargo máximo do futebol nacional o vice-presidente mais velho da entidade, Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes — esta é a determinação do estatuto do órgão.

Nunes chegou a ocupar o cargo de presidente interino da entidade entre janeiro e março de 2016, quando Marco Polo Del Nero pediu licença voluntária "por motivos de ordem pessoal", mas deixou o cargo a partir do momento em que o presidente decidiu voltar. Posteriormente, reassumiu o comando após o afastamento definitivo do ex-presidente.

Em caso de banimento de Caboclo, também é Nunes quem assume. Contudo, ele terá 30 dias para organizar outra eleição. Caso este seja o cenário, os candidatos terão que ser obrigatoriamente aqueles que ocupam hoje o cargo de vice-presidentes da CBF. São eles: o próprio Coronel Nunes, Antônio Aquino, Ednaldo Rodrigues, Castellar Guimarães, Fernando Sarney, Francisco Noveletto, Marcus Vicente e Gustavo Feijó. Isso não quer dizer que os oito são obrigados a concorrer.

Comandante militar e prefeito biônico em Monte Alegre (PA) no período da ditadura, Nunes recebe um saldo mensal de R$ 14,7 mil como perseguido pelo regime e futuramente anistiado, segundo reportagem publicada por Lúcio de Castro, em 2016. Além das prestações mensais, ele ganhou uma indenização retroativa de R$ 243.416,25 em 2003.

A eleição de Nunes para vice-presidente da CBF e foi cercada de polêmicas: apesar de ser da Região Norte, o cartola ganhou o cargo pela Região Sudeste. O também vice Delfim de Pádua Peixoto Filho, opositor de Del Nero, apontou que teria ocorrido uma "jogada política" para tirá-lo da linha sucessória.

Gafes aos montes

Mas Nunes é conhecido pelas suas gafes. O dirigente esteve envolvido em diversas polêmicas e chegou a viver uma espécie de isolamento político em relação aos outros membros da entidade máxima do futebol brasileiro. Por exemplo, na primeira semana da Copa do Mundo da Rússia, em 2018, esteve no treino da Seleção Brasileira em Sochi. E deu declarações desastrosa, cometendo gafes sobre o país e concorrentes da Seleção.

A primeira grande polêmica do atual presidente da CBF foi o voto no Marrocos para sede da Copa de 2026, contrariando um apoio já combinado para a América do Norte, que acabou vencendo a disputa. O voto de Nunes gerou uma crise diplomática e incomodou bastante a Conmebol. O ato foi considerado uma traição. Questionados, mais de uma vez membros da CBF disseram que o voto do coronel representou apenas uma decisão pessoal.

Já em conversa com jornalistas no treino aberto da Seleção na primeira semana em Sochi, esperava que o Brasil quebrasse um tabu que, na verdade, não existia — de vencer como uma seleção sul-americana uma Copa na Europa. A própria Seleção Brasileira já havia conquistado tal objetivo em 1958, ganhando da Suécia na final na casa do rival.

O dirigente também confundiu também o Mar Vermelho com o Mar Negro, este último o que de fato banha Sochi. O primeiro fica no golfo do Oceano Índico, entre a África e a Ásia.

Ainda na Rússia, enquanto estava com um de seus assessores em um restaurante de São Petersburgo, se envolveu em outra polêmica. Gilberto Barbosa quebrou um copo na cabeça de um torcedor. Alexandre Nazareno precisou enfaixar o local para conter o sangramento e Gilberto foi enviado de volta ao Brasil.

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