Corpo do ator e humorista Roberto Guilherme será velado e cremado no Cemitério do Caju

O corpo do ator e humorista Roberto Guilherme, que morreu aos 84 anos, nesta quinta-feira (dia 10), depois de anos de batalha contra o câncer, será cremado.

Leia também:

A cerimônia acontecerá nesta sexta-feira (11), às 17h, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju, no Rio de Janeiro. Antes, a partir das 10h, haverá velório na Capela 1, Ecumênica.

Leia também:

As informações foram divulgadas no perfil oficial de Roberto Guilherme no Instagram, na noite desta quinta-feira. Na legenda, a família sugere homenageá-lo com coroas de flores e até indica uma floricultura para tal: "A coroa de flores simboliza o próprio Deus presente e o pensamento de que Deus está em toda parte e é eterno".

Ator foi paraquedista e jogador de futebol

Conhecido pelo marcante papel do Sargento Pincel em "Os Trapalhões", o ator Roberto Guilherme, que morreu na manhã desta quinta-feira aos 84 anos, também teve a experiência de ser militar na vida real. Ele foi paraquedista do Exército. O próprio artista mostrou, no ano passado, em seu Instagram uma lembrança da época, em que tinha 19 anos. Além disso, ele também jogou futebol pelo Vasco da Gama, quando tinha 14.

Leia também:

— Era sargento e só queria saber de futebol. Joguei até com o Pelé, acredita? Um dia, escrevi uma peça para o teatro amador do Olaria Atlético Clube, o ator acabou faltando e entrei no lugar dele, depois de uns bons copos de rum. Um cidadão me viu no palco e me convidou para o elenco da TV Rio. Modéstia à parte, eu era bem apanhado : cinturinha pequena, peito grandão, olhos verdes... (risos) — gabou-se ele, em entrevista ao EXTRA em 2011.

Nascido em Ladário (MT), o ator morou em Natal (RN) e veio para o Rio com 8 anos. Aos 11, já trabalhava numa tamancaria. Mas foi em 1963, na TV Excelsior, que Roberto conheceu Renato Aragão e recebeu o convite para trabalhar com ele.

— Desde então, nunca mais nos separamos. Somos amigos, compadres, irmãos de sangue — conta o artista, explicando que, certa vez, doou seu raro sangue "tipo O" para salvar o humorista de uma hemorragia estomacal.

Ao parceiro de cena, Roberto não se cansa de tecer elogios...

— Aragão é uma eterna criança, só que é muito tímido, por incrível que pareça. Se você puxar por ele, ele vem. Em cena, é um monstro sagrado, um cara iluminado. Não adianta querer superá-lo, porque tudo vai perder a graça. Ele é o cara! E temos um trato : vamos juntos até 2056! — conta ele, lembrando, com pesar, a falta que fazem Mussum e Zacarias.

Sem medo do ridículo ("Não sei o que é isso, não tenho pudor em cena") e empunhando com orgulho a bandeira do humor ingênuo ("Palavrão e gesto obsceno qualquer incompetente faz"), Roberto Guilherme garante não se importar em ser sempre o coadjuvante :

— Nunca, na minha vida, fui o principal, por uma questão de opção. Sempre procurei ser um bom coadjuvante para estar entre os melhores. Coloco a bola lá em cima e digo "Faz o gol!". Aí, na hora da foto, estou eu lá, junto com quem levanta a taça. Acho estranho, hoje em dia, as pessoas terem vergonha de dizer que são coadjuvantes. Deveriam ter orgulho, porque um bom coadjuvante segura qualquer protagonista ruim, ao mesmo tempo que um bom principal é derrubado por um secundário ruim. Tenho a humildade de fazer o meu, bem feito. Esse é o segredo de estar tantos anos no ar.

Nome artístico veio de brincadeira com Renato Aragão

O nome de registro de Roberto Guilherme, Edward Guilherme Nunes, ficou esquecido na carteira de identidade do ator, ao longo de sua carreira. Por causa do personagem de "Os Trapalhões", ele só era conhecido nas ruas e na própria família como Sargento Pincel.

— Meu nome imperial foi embora... Até minha família me chama de Pincel. Os dois filhos, os três netos... Com minha mulher (Sheila, com quem está casado há 43 anos), é "Pinça" para lá, "Pinça" para cá... Mas não tem grilo, não. Esse personagem é como um filho que eu criei e atravessou gerações. Um filho que me dá muito orgulho — afirmou ele, em entrevista concedida ao EXTRA em 2011, lembrando que Pincel não era o primeiro sargento de sua carreira: — Antes, fiz um militar que não tinha nome, no programa "Os legionários" (1963), da TV Excelsior.

Mas por que Pincel? O apelido surgiu de uma piada, como não poderia deixar de ser...

— O roteirista, o diretor e o próprio (Renato) Aragão faziam umas molecagens comigo. Toda hora tinha nas cenas a história de que eu era "chegado a levar umas pinceladas", e eu nunca respondia. Aí, um belo dia, armei para cima deles. Mandei escrever "Sgt. Pincel" numa camiseta, na altura do peito. Aragão veio com a gracinha : "Sargento, ando preocupado, pensando, pensando... Me explica: como é mesmo esse negócio das pinceladas?". E, dessa vez, eu respondi: "Muito simples! Está vendo aqui? Pincel é meu sobrenome!". E assim ficou — lembrou ele na mesma entrevista.