Corpo de Bombeiros pede exclusão de oficial que atropelou e matou ciclista

O secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro, decidiu pedir a exclusão do capitão João Maurício Correia Passos. O oficial foi condenado, em 30 de junho, a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por atropelar e matar o ciclista Cláudio Leitte da Silva, de 52 anos, na Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, em janeiro do ano passado. Passos respondia um inquérito interno e estava afastado das funções desde julho de 2021.

No documento do Conselho de Justificação, ao qual O GLOBO teve acesso, os conselheiros, por unanimidade, opinaram pela expulsão de Passos da corporação. Os oficiais afirmaram que o capitão “é culpado das imputações e que não possui capacidade para cumprir os regulamentos e ordens superiores o que o torna inabilitado para exercer a patente”, segundo trecho do documento.

Ainda no relatório, a Corregedoria Interna dos Bombeiros salientou que a corporação “não pode suportar a conduta perpetrada pelo capitão”. O documento foi enviado ao Tribunal de Justiça do Rio.

Na sentença que condenou o capitão Passos, a juíza Luciana Fiala de Siqueira Carvalho também decretou a perda do cargo público do bombeiro e proibiu João Maurício de obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

“Na medida em que o acusado é bombeiro militar, agente detentor do ônus de salvaguardar vidas, revelando conduta de uso extremamente nocivo de álcool, em total incompatibilidade com sua função pública, decreto a perda do cargo público do demandado”, escreveu a magistrada. Passos pode recorrer da decisão.

Ao EXTRA, Monteiro criticou a postura do capitão e disse que a sociedade cobrava por uma resposta.

– O Corpo de Bombeiros do Rio é uma instituição de 166 anos forjada nos preceitos da ordem e da disciplina. Sempre repudiamos veementemente todo e qualquer ato criminoso, assim como condutas ilícitas que transgridam as características da profissão de bombeiro militar – disse o secretário, que completou:

– Nessa situação não poderia ser diferente. Opinar pela exclusão do militar só confirma nossa convicção de que esse é o caminho que devemos seguir para continuar realizando bem o que nos cabe: estar a postos, firmes e fortes, para quando a sociedade precisar de nossa corporação a resposta ser imediata e eficiente. Nossa missão é servir à população do estado, portanto temos mais do que a obrigação de darmos à sociedade uma resposta justa. É isso que a população fluminense espera e merece – afirma Monteiro.

O acidente que matou o ciclista Cláudio Leite da Silva, de 57 anos, aconteceu por volta das 5h40, na altura do Posto 10, no Recreio dos Bandeirantes, quando um motorista perdeu o controle da direção e atingiu o taxista aposentado que tinha o hábito de pedalar diariamente pela via. O motorista fugiu, mas foi preso numa rua do bairro, a cerca de dois quilômetros do local do acidente.

Cláudio estava em uma bicicleta de fibra de carbono e pedalava sozinho no momento em que foi atingido. Segundo testemunhas, o atropelador estava bebendo em um bar, que fica dentro de um posto de conveniência, na Avenida Glaucio Gil a poucos metros de onde aconteceu o acidente. Antes de atropelar o ciclista, ele bateu em uma Kombi e no meio-fio. Foi possível ver uma garrafa de uísque no veículo abandonado depois do acidente.

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