Corpo de ciclista atropelada pelo BRT é velado na Zona Oeste do Rio

O corpo da ciclista Rosângela Nogueira, de 45 anos, que morreu após ser atropelada no corredor Transcarioca do BRT, na Taquara, Zona Oeste do Rio, foi enterrado neste sábado, no Cemitério Jardim da Saudade, no Jardim Sulacap. Apaixonada pelo ciclismo, ela se envolveu em um acidente no início da manhã desta sexta-feira, na pista sentido Barra da Tijuca.

Rosana Nogueira, irmã de Rosângela, contou, muito emocionada, que ela se apaixonou pelo ciclismo em um momento de luto. Rosângela, que deixa um casal de filhos de 23 e 20 anos, perdeu o marido há cinco anos, em decorrência de problemas no coração, e encontrou no esporte uma cura para sua dor.

— Eles eram um casal maravilhoso e ela encontrou no ciclismo uma salvação para preencher essa lacuna aberta pela perda. A Rosângela era muito de bem com a vida, sempre alegre. Adorava esporte e dizia ao pedalar que a sensação era de liberdade, que sentia como se pudesse voar. É um baque muito grande perdê-la assim— contou a irmã.

Rosângela foi levada pelo Corpo de Bombeiros com ferimentos graves para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas já chegou à unidade sem vida. Na manhã de sexta-feira, pouco antes do acidente, ela fez uma publicação onde aparecia dando bom dia em cima da bicicleta e preparada para o passeio.

A irmã de Rosângela também afirmou que o caminho percorrido era rotineiro para a ciclista. Ela tinha saído de casa há poucos minutos e pedalava para encontrar seu grupo de ciclismo do outro lado da pista. Na manhã de sexta, o grupo faria um passeio pedalando até Guaratiba.

— Ela era muito prudente, não vacilava, era sagaz e atenta a tudo. Ela era reconhecida por ajudar os outros colegas dos grupos de ciclismo, chamar atenção para a segurança. É realmente um choque muito grande vê-la partir assim — finalizou a irmã.

A amiga de pedal, Adriana Dutra, do grupo Próximo Destino, do qual Rosângela também fazia parte, conta que o bordão da amiga era “vive não, pra tu ver”. Segundo Dutra, ela era do tipo de pessoa que escancarava a vontade de viver.

— Eu chamava ela de mana. Ela era tão cuidadosa, eu andava sempre de bicicleta com ela, estava sempre me avisando dos sinais de trânsito, dos ônibus passando, dos buracos na via. Eu ainda reclamava, em tom de brincadeira, sobre o excesso de zelo dela. Ela dizia que não tinha idade para ser minha mãe, então ficamos conhecidas como manas — afirma a amiga.

Nas redes sociais, o namorado de Rosângela, Marcelo Farnesi, fez uma homenagem emocionada para sua "eterna namorada". Horas antes do acidente, a carioca publicou um vídeo com vários momentos ao lado dele e ao som da música "Tempos modernos", de Lulu Santos. "Não há tempo que volte amor, vamos viver tudo que há para viver. Vamos nos permitir", dizia o trecho destacado.

"Eu te amo demais, como nunca amei ninguém. Descanse em paz minha eterna namorada", escreveu Marcelo, que postou uma foto do casal ao som de "O sonho não pode acabar", de Dhema.

Os dois se conheceram no segundo semestre do ano passado e trocavam declarações apaixonadas constantes. Durante o relacionamento, a ciclista também incentivou o namorado a participar das pedaladas para acompanhar o seu ritmo.

A Mobi-Rio, concessionária responsável pela administração do coletivo, informou por meio de nota que escutou o motorista e testemunhas que afirmaram que a ciclista teria atravessado a pista exclusiva com o sinal verde para o articulado, entre as estações Merck e André Rocha.

A ocorrência foi registrada na 32ª DP (Taquara). "A MOBI-Rio lamenta o ocorrido e informa que sempre alerta para os perigos de invasão à pista exclusiva", diz o trecho da nota.