Corpo de Lázaro Barbosa chega ao IML de Goiânia; polícia suspeita de estupros

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  • O corpo do assassino Lázaro Barbosa, de 32 anos, chegou ao Instituto Médico legal (IML) de Goiânia na tarde desta segunda-feira (28)

  • Será realizada uma perícia, ainda nesta tarde, para coletar material genético de Lázaro; objetivo é identificar outros possíveis crimes cometidos como outros estupros

  • As amostras serão analisadas com as das vítimas que estão armazenadas no banco genético da polícia

O corpo do assassino Lázaro Barbosa, de 32 anos, chegou ao Instituto Médico legal (IML) de Goiânia na tarde desta segunda-feira (28). O criminoso foi morto após em uma força-tarefa com mais de 270 agentes das policias em Águas Lindas de Goiás. De acordo com a polícia, houve confronto e troca de tiros.

Segundo informações da corporação, será realizada uma perícia pela Polícia Técnico-científica, ainda nesta tarde, para coletar material genético de Lázaro. A suspeita é que ele tenha cometido ao menos 30 crimes.

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O objetivo, de acordo com a polícia, é identificar outros possíveis crimes cometidos pelo criminoso, como outros estupros. As amostras serão analisadas com as das vítimas que estão armazenadas no banco genético da polícia. 

Lázaro é condenado por assassinatos e estupros. Ele estava sendo procurado há 20 dias por uma série de crimes na Bahia e em Goiás. Há também uma acusação de que ele teria executado quatro pessoas de uma mesma família, o que lhe rendeu o apelido de "serial killer de Brasília". 

O comboio com a viatura que lavava o corpo de Lázaro chegou ao instituto às 13h33, após percorrer 180 km para a capital (veja vídeo acima). Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública, disse que prédio foi escolhido para perícia por ter mais estrutura — o "serial killer" foi morto em Águas Lindas de Goiás.

De acordo com a TV Anhanguera, uma sala foi reservada para a perícia e apenas dois peritos poderão entrar por vez no local. Na portaria, todos os funcionários que entram no prédio estão tendo as identidades checadas.

Lázaro é condenado por assassinatos e estupros; ele estava sendo procurado há 20 dias por uma série de crimes na Bahia e em Goiás (Foto: Marcello Dantas/Yahoo Notícias)
Lázaro é condenado por assassinatos e estupros; ele estava sendo procurado há 20 dias por uma série de crimes na Bahia e em Goiás (Foto: Marcello Dantas/Yahoo Notícias)

Assim como aconteceu em Águas Lindas de Goiás, onde ocorreu a operação, diversas pessoas nos arredores do IML soltaram fogos de artifício em comemoração a captura e morte de Lázaro.

Após ser baleado, agentes das forças de segurança afirmaram que Lázaro foi levado para um hospital de Águas Lindas de Goiás ainda com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

Às 11h10, um carro do Instituto Médico Legal chegou ao hospital para buscar o corpo e levá-lo para Goiânia.

Segundo a Polícia Técnico-Científica, apenas após os exames será possível verificar com quantos disparos de arma de fogo Lázaro foi atingido.

Rede de proteção a Lázaro

Segundo o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, a polícia investiga uma possível rede de proteção a Lázaro, que contava com dinheiro para fuga e podia até sair do país com apoio dessas pessoas.

"Ele foi encontrado com cerca de R$ 4.400, o que seria mais um prova de que estariam acobertando ele e dificultando o trabalho das forças policiais", afirmou o secretário. "O dinheiro era indicativo de que ele estava querendo sair do estado ou até do país", acrescentou.

"Ele estava também trocando de roupas, mais uma prova de que ele tinha uma rede que lhe acobertava", disse.

O empresário Elmi Caetano Evangelista foi apontado pelo secretário de Segurança Pública como "líder da organização criminosa". A polícia investiga se o objetivo do fazendeiro era "especulação imobiliária", com a desvalorização de fazendas vizinhas para a posterior compra.

Há a hipótese ainda de que o assassino trabalhava como "jagunço" ou "segurança" de fazendeiros da região.

“Ainda temos algumas pessoas para investigar e prender. Agora, sai a força intensiva e fica o trabalho investigativo até a gente ir até o último envolvido”, confirmou.

20 dias foragido 

Durante o período em que ficou foragido, Lázaro se movimentava por dentro da mata entre as cidades de Cocalzinho de Goiás e Águas Lindas. Durante as buscas, foram usados helicópteros, viaturas, cachorros, drones com visão térmica, rádios especiais e antes amplificadores de sinal.

Mesmo com todo o equipamento, o conhecimento de Lázaro da região, onde cresceu, deu vantagem na fuga. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirma que Lázaro era um “mateiro”.

O caso da família de Ceilândia

Lázaro é suspeito de assassinar um casal e dois filhos em uma chácara no Incra 9, em Ceilândia (DF), no dia 9 de junho. Ele atacou a família com tiros e facadas e roubou coisas da casa. Após o crime, ele conseguiu fugir pela mata da região e rodovias. Para isso, furtou carros, que dirigiu pela rodovia BR-070, que depois incendiou e abandonou.

Após o assassinato em Incra 9, Lázaro teria invadido outra chácara na mesma região, onde ficou por quatro horas, fez reféns e roubou um veículo par fugir para Goiás. Essa invasão deu indícios para a polícia que ele seria o autor da chacina da família em Ceilândia.

No dia 17, houve trocas de tiros entre policiais e o fugitivo, e se supõe que Lázaro se encontre ferido (Foto: Reprodução)
No dia 17, houve trocas de tiros entre policiais e o fugitivo, e se supõe que Lázaro se encontre ferido (Foto: Reprodução)

A fuga e a caçada

No dia 11 de junho, ele chegou em Cocalzinho de Goiás. No dia seguinte, ele atirou em quatro pessoas, invadiu fazendas e colocou fogo em uma casa para fugir. As vítimas foram encaminhadas a hospitais da região. No dia 14, um caseiro afirmou à polícia que atirou contra o fugitivo, que queria entrar na casa. Ele foi avistado em uma fazenda entre os distritos de Edilândia e Girassol.

Rodney Miranda, que é secretário de Segurança Pública de Goiás, afirmou que Lázaro conhecia muito bem a região de Cocalzinho. "Ele, além de ser um psicopata, é da região. É o que nós chamamos de 'mateiro', acostumado a se emburacar no mato. Ele deve ter outra motivação psicótica. Está muito focado em seguir na trajetória criminosa", disse Miranda.

No dia 15 de junho, Lázaro fez um casal e um adolescente refém em Edilândia. Familiares contaram sobre o ocorrido. "Ele falou que ia matar os três. Quando viu o helicóptero deitou eles no chão e os tapou com folhas. Quando a polícia chegou por terra, ele atirou contra a polícia", contou a familiar dos reféns. No mesmo dia, ele baleou dois policiais da PM de Goiás.

No dia 17, houve trocas de tiros entre policiais e o fugitivo, e se supõe que Lázaro se encontre ferido.

Lázaro foi avistado algumas vezes por pessoas da região até o dia de sua captura. Um moradora de Cocalzinho contou que atendeu o fugitivo na padaria que trabalha no dia 26 de junho. "Foi muito rápido e ele estava nervoso. Ele está bem diferente, está mais magro, está mais moreno, o cabelo está um pouco grande e 'lambido' para trás", relatou.

Miranda conta que o conhecimento do local pelo criminoso foi o que mais dificultou as buscas, além de ter tido ajuda de fazendeiros locais. Foram usados mais de 200 homens na caçada e diversos equipamentos de segurança. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás não divulgou ainda os valores destinados à operação. No entanto, estima-se que foi destinado uma alta quantia para a captura de Lázaro.

Mesmo com todo o equipamento, o conhecimento de Lázaro da região, onde cresceu, deu vantagem na fuga. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirma que Lázaro era um “mateiro” (Foto: Reprodução)
Mesmo com todo o equipamento, o conhecimento de Lázaro da região, onde cresceu, deu vantagem na fuga. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirma que Lázaro era um “mateiro” (Foto: Reprodução)

Por quais crimes ele é investigado?

No total, são ao menos nove crimes cometidos por Lázaro: roubo, estupro, sequestro, tentativa de homicídio, homicídio, furto, porte ilegal de arma de fogo, tentativa de latrocínio e invasão.

Até agora, além do fim da caçada por Lázaro que culminou em sua morte, a operação já prendeu duas pessoas suspeitas de o ajudarem na fuga, um caseiro e um fazendeiro. A polícia ainda apura a relação deles com o assassino.

O caseiro, que está em liberdade provisória, contou às autoridades que o fazendeiro é amigo da família do suspeito. A defesa do patrão nega que ele tenha ajudado Lázaro.

Como o fazendeiro ajudou Lázaro?

O fugitivo fazia três refeições na fazendo, de acordo com o depoimento do caseiro na última quinta-feira (24) à investigação. Ele relatou que percebeu que faltava leite, havia copos sujos na pia e pão na mesa, sendo que ninguém dormia no local. Ele relatou também que ouviu o patrão chamar por Lázaro na hora do almoço e reparou que mais comida estava sendo preparada.

"Vem almoçar Lázaro", gritava o fazendeiro em direção à mata, conforme relatou o caseiro. O mesmo acontecia no período da noite e seu patrão gritava para a mata: “a porta vai ficar aberta”.

Lázaro dormiu no imóvel por pelo menos cinco dias, entre 18 e 23 de junho. O caseiro conta que percebeu que um colchão estava fora do lugar todos os dias. Ele ressalta que ninguém dormia na chácara normalmente.

Na tarde do dia 23 de junho, o fazendeiro foi além para proteger o fugitivo e impediu que uma equipe do Comando de Operação de Divisas da Polícia Militar (COD) entrasse na propriedade. De acordo com os agentes, eles foram tratados com hostilidade pelo dono do local. O advogado disse que ele teria feito isso para evitar fuga de animais.

O caseiro, no entanto, afirma que tinha ordens de não deixar a polícia entrar desde o dia 18.

Quando a polícia se aproximava do local, Lázaro se escondia em um depósito, onde ficavam equipamentos e uma máquina de cortar grama. No dia em que fazendeiro e caseiro foram presos, o funcionário da fazenda conta que viu Lázaro correr para dentro do depósito. O fugitivo fez um sinal para que ele saísse da residência. Lá fora, o caseiro viu os agentes de polícia. De acordo com ele, não denunciou o esconderijo de Lázaro por ter sido ameaçado de morte.

O major do COD afirma que o caseiro revelou que havia uma relação de proximidade entre o fazendeiro e a família de Lázaro. Ele teria dado auxílio à família quando o irmão de Lázaro morreu, além de já haver empregado a mãe e o tio do suspeito. Quando a polícia conseguiu entrar na chácara, viu o nome do tio de Lázaro escrito com tinta em uma parede.

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