Corpos de cinco vítimas de incêndio em hospital no RJ são identificados

ANA LUIZA ALBUQUERQUE, DIEGO GARCIA E LUCAS LACERDA
Rio de Janeiro (RJ), 13.09.2019 - Movimentação na manhã desta sexta-feira (13) em frente ao hospital Badim, na zona oeste do Rio de Janeiro, que foi atingido por um incêndio que deixou pelo menos 11 mortos. (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após o incêndio que atingiu o hospital particular Badim na noite de quinta-feira (12) na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, familiares compareceram ao IML (Instituto Médico Legal) na manhã desta sexta (13) para o reconhecimento de 10 corpos.

Segundo o prefeito Marcelo Crivella, 11 pessoas morreram na tragédia.

Até o momento, seis vítimas foram reconhecidas e cinco tiveram os nomes divulgados: Ana Almeida do Nascimento, 90, Virgílio Claudino da Silva, 66, Irene Freitas, Maria Alice Teixeira da Costa e Luzia dos Santos Melo, 88.

O inquérito para investigar o incêndio está sendo conduzido pela 18ª delegacia de polícia.

O delegado Roberto Ramos afirmou que os peritos da Polícia Civil continuam com dificuldades para realizar a perícia em função da água que restou no prédio após o trabalho dos bombeiros. A polícia está garantindo que a energia elétrica está desativada para evitar acidentes.

O delegado também disse que brigadistas e pessoas que estavam no hospital nesta quinta-feira já foram chamados para prestar depoimento nesta sexta. Um perito da Polícia Civil deixou o prédio com um aparelho que, segundo ele, contém as imagens das câmeras do hospital. O Corpo de Bombeiros diz que o Badim tinha o Certificado de Aprovação, que comprova o cumprimento da legislação contra incêndio e pânico. A prefeitura também diz que o local possui alvará de funcionamento.

Técnicos da vigilância sanitária inspecionaram o hospital Badim em julho deste ano. De acordo com o órgão, foram identificadas necessidades de adequação em nove áreas do local. Porém, nada que impedisse o funcionamento do estabelecimento. 

"O processo de licenciamento sanitário do estabelecimento está em andamento, aguardando essas adequações (dentro do prazo concedido para serem realizadas) e nova inspeção", disse a vigilância sanitária.

A representante comercial Renata Schmid, 40, teve sua casa, vizinha ao hospital, parcialmente interditada por risco de curto circuito. A reportagem entrou na residência, que fica em uma vila. O ambiente da cozinha estava muito quente, vidros da sala se quebraram, o reboco da parede caiu e havia rachaduras na parede. O cheiro de queimado também era forte.

Na quinta, a Defesa Civil orientou que Renata deixasse a casa por precaução. Os demais moradores da vila também. decidiram dormir em outros locais. Uma mulher que mora em uma das casas inalou muita fumaça e acabou internada.

Os corpos encaminhados ao IML foram periciados e identificados por papiloscopistas, por meio das impressões digitais, e uma equipe especializada em atendimento de tragédias em massa presta atendimento psicológico aos familiares. 

Consternado, Emanuel Melo, filho da vítima Luzia, disse que acompanhou a mãe junto com a equipe do hospital.

"Procurei tranquilizar minha mãe. Arrumei a maca e colocamos ela pra ela sair. Eu só falava 'mãe, por favor, não tira essa máscara [de oxigênio]'. Disse 'mãe, não fala nada, deixa pra falar depois'. E agora não vou mais poder falar com ela", conta Emanuel.

O carioca afirma que houve negligência do hospital, truculência do Corpo de Bombeiros e que a morte poderia ter sido evitada.

"Foi um assassinato. Só faleceram os que estavam no G1 e no primeiro andar, os idosos, que deveriam ser prioridade", afirma.

Luzia era maranhense e morava há décadas em Cascadura, na zona norte do Rio. Estava internada para tratar uma pneumonia.

Seu sepultamento será neste sábado (14), no cemitério São Francisco Xavier, na Tijuca. 

Emanuel afirma que houve uma queda de luz, quando ele e outros presentes no CTI perceberam fumaça por volta de 17h15 e alertaram a equipe do hospital. Foram informados que se tratava de manutenção interna. 

"Aí, quando houve a explosão, a fumaça tomou conta de tudo, era um cheiro insuportável", lembra.

O hospital faz parte da rede D'Or São Luiz. Havia 103 pacientes e 226 funcionários no local quando o incêndio começou. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 17h50 e enviou no total 12 viaturas e agentes de quatro quartéis ao edifício, que foi tomado por uma fumaça preta e espessa, como mostram imagens gravadas por quem passava pela região.

Pessoas internadas nos centros de terapia intensiva (CTI), muitas delas idosas e em estado grave, foram retiradas ainda nas macas. Com colchões e lençóis, funcionários improvisaram leitos em ruas próximas, que foram bloqueadas.

Segundo a direção do hospital, ao que tudo indica, o incêndio foi provocado por um curto-circuito em um gerador no subsolo do prédio mais antigo do Badim, que tem dois edifícios, um inaugurado em 2000 e o outro, em 2018. A fumaça do incêndio subiu para todos os andares. O prédio abriga leitos e um CTI.