Corredores celebram a volta da São Silvestre com novos rituais

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*ARQUIVO* SAO PAULOS/ SP, BRASIL, 31-12-2019:  Corrida de Sao Silvestre   (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULOS/ SP, BRASIL, 31-12-2019: Corrida de Sao Silvestre (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Partir da avenida Paulista, passar por trechos históricos, como a avenida São João, o largo do Paiçandu, o viaduto do Chá e a avenida Brigadeiro Luís Antônio, antes de retornar à mais famosa das avenidas da cidade para ser saudado pelo público.

No trajeto, receber copinhos de água dos voluntários, beber somente um gole e jogar o restante na cabeça, além de passar pelo "Km 41", ponto batizado com esse nome como uma ironia a quem chama a corrida de São Silvestre de maratona, apesar de ter apenas 15 km --um detalhe que, para a maioria dos corredores, é o que menos importa.

A tradicional prova disputada no dia 31 de dezembro em São Paulo é mais do que uma competição, é um ritual que faz parte da virada de ano de milhares de pessoas --em 2019, a competição reuniu cerca de 35 mil participantes.

Em 2020, porém, a tradição foi quebrada. Por causa da pandemia de Covid-19, a corrida acabou cancelada pela primeira vez desde que o evento foi criado, em 1925.

"Diferente de outras provas, a São Silvestre é uma grande festa, uma confraternização de fim de ano entre corredores, sem a necessidade de tentar baixar o pace [ritmo] ou de fazer um tempo bom na corrida", diz o competidor Marcos Vinícius Mariano, 34, que disputará a corrida pela sétima vez. "Poder voltar a correr a São Silvestre nos ajuda a refletir."

Neste ano, porém, a São Silvestre terá uma cara um pouco diferente da de outros anos. A começar pelo rosto dos participantes, que terão de usar máscaras na largada e na chegada --nos demais trechos, o item para proteção contra a Covid-19 será facultativo.

Em seu regulamento, a organização determina que o uso de máscara é obrigatório "durante todo o período de permanência na Arena da Prova Presencial que compreende as áreas de largada e chegada, incluindo a dispersão". Ao longo do percurso, porém, o uso é apenas recomendado.

Também não será permitida a presença de público na av. Paulista, para evitar aglomerações em meio ao avanço da variante ômicron do novo coronavírus, considerada mais transmissível. Pelo mesmo motivo, os organizadores do "km 41" não vão montar o ponto. "É triste, mas foi uma decisão sensata", afirma Marcos.

A organização exige, também, que todos os participantes tenham tomado ao menos uma dose da vacina, e o comprovante era item necessário para retirar os kits. Nos casos de imunizantes em que é necessário aplicar uma segunda dose, deverá apresentar também um teste negativo.

A cirurgiã-dentista Ana Carolina Cambuí, 29, cogitou se inscrever para a edição de 2020 antes do anúncio do cancelamento, mas a falta de vacinas à época foi justamente um dos motivos que fizeram ela adiar o desejo de estrear na prova.

"Este ano, com a vacinação e um maior controle da pandemia do que no ano anterior resolvi participar", diz a corredora. "Fazer parte disso após um ano tão difícil, a ansiedade já está grande."

Para ela, correr é uma forma de aliviar o estresse, sobretudo nesses tempos de isolamento. "Antes mesmo da pandemia, a corrida já era uma forma de relaxar e desligar do trabalho. Mantive o isolamento durante a pandemia e só voltei a correr quando me senti mais segura", afirma Ana. "Voltar a correr foi essencial, pois a corrida ajuda muito a aliviar a tensão."

A cirurgiã costuma manter uma rotina regular de treinos e corridas. Além da São Silvestre, ela participa de provas de rua de 5 a 10 km. Em 2022, a vontade dela é correr provas maiores. "Estou pensando também em estrear em uma maratona", conta.

Enquanto Ana está ansiosa por sua estreia na mais tradicional prova de São Paulo, Demétrius Carvalho, 47, participou de todas as edições desde 2014, quando começou a correr.

Em 2020, nem mesmo o cancelamento do evento, o impediu de percorrer os 15 km do trajeto da corrida. Como o Show da Virada também foi cancelado, ele organizou uma disputa noturna. Alguns amigos dele também gostaram da ideia e viraram o ano correndo na av. Paulista.

"Sempre gostei da ideia de virar o ano correndo, mas a São Silvestre ocorre pela manhã. Como não houve no ano passado, eu pensei que enfim eu poderia realizar esse desejo", lembra. "Vieram inclusive gente de fora de São Paulo para essa experiência. Era meia-noite, a gente estava chegando na praça da República e ouvidos os fogos. A gente nunca vai esquecer essa experiência de virar o ano correndo."

Para o atleta, praticar o esporte é uma "forma de meditação" e "traz um benefício físico e mental", afirma o corredor, que como a maioria estava ansioso para voltar a fazer parte do ritual nas ruas de São Paulo.

REGRAS DA SÃO SILVESTRE

Uso de máscara:

obrigatório na arena, na largada e na chegada

desrespeito à regra pode levar à expulsão da arena

recomendado no percurso

Vacina:

exigida ao menos uma dose

comprovante (impresso ou digital) necessário para a retirada do kit

no caso de uma só dose (a não ser que a vacina seja de dose única), é preciso apresentar exame negativo (PCR 48h antes; antígeno 24h antes) também na retirada do kit

se o participante não apresentar os documentos, não poderá participar da prova

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