Corregedor do TSE recomenda a Lula e a Bolsonaro que evitem propaganda eleitoral durante votação neste domingo

A disputa em Pernambuco, que levou Raquel Lyra (PSDB) e Marília Arraes (Solidariedade) ao embate inédito entre duas mulheres pelo governo do estado, foi marcada por reviravoltas. Apesar de Marília ter liderado as pesquisas no primeiro turno, a tucana chega à frente na reta final.

Pesquisa do Ipec divulgada ontem mostra Raquel com 51% e Marília com 43%. Brancos, nulos e indecisos somaram 6%. No cálculo de votos válidos, a candidata do PSDB tem 54% contra 46% da rival.

Episódios da vida pessoal das duas impactaram a disputa e inviabilizaram atividades políticas. Raquel perdeu o marido, o empresário Fernando Lucena, que morreu no dia do primeiro turno. Marília sofreu com enjoos decorrentes dos cinco meses de gravidez e cancelou alguns compromissos. A campanha pernambucana também foi marcada pela reaproximação de Marília e o primo João Campos (PSB), prefeito de Recife.

Com o desafio de virar o jogo, Marília se agarrou à estratégia de nacionalizar a campanha. Após receber o apoio do ex-presidente Lula (PT) no segundo turno, ela passou a associar a adversária, que manteve a neutralidade, ao bolsonarismo. Raquel Lyra, por sua vez, refutou o rótulo de candidata do presidente Jair Bolsonaro (PL) e usou o apoio do PSB à campanha de Marília para atacá-la. Crítica do governo de Paulo Câmara (PSB), que enfrenta forte rejeição, Marília passou a ser chamada de “candidata da continuidade” por Raquel. A opção por não declarar voto a presidente e focar nos problemas locais tem se mostrado eficiente à tucana.

— Sou candidata de oposição ao PSB. Ninguém tem dúvidas quanto à minha posição, mas precisamos olhar para o futuro. Não dá é para dizer que não tem lado e manter tantos bolsonaristas a seu lado, como a Raquel Lyra — diz Marília.

Em resposta, a tucana diz ter apoiadores de Lula a seu lado e diz ver “contradição” na rival:

— O time dela é o de Paulo Câmara, que quer se manter no poder, e Pernambuco não quer mais. Ninguém se engana com isso. Não declaro voto para a Presidência, mas o (deputado) Túlio Gadêlha (Rede-PE), que está com Lula, me apoia.