Corregedoria da PGR solicita cópia da base de dados da Lava-Jato do Rio

Aguirre Talento e André de Souza
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BRASÍLIA - Após ter realizado uma vistoria na força-tarefa de Curitiba, a Corregedoria da Procuradoria-Geral da República (PGR) deu início a uma inspeção nos processos da Lava-Jato do Rio para buscar supostas irregularidades envolvendo as investigações. A Corregedoria já solicitou cópia de toda a base de dados da força-tarefa fluminense, nos mesmos moldes que havia feito com Curitiba.

O material ainda está sendo copiado pela equipe de peritos da PGR. Após a obtenção da íntegra do acervo, a Corregedoria irá verificar se há alguma irregularidade, como identificar se a força-tarefa do Rio investigou autoridades com foro privilegiado.

Por causa dessa inspeção, a PGR chegou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o adiamento do julgamento de uma reclamação contra investigação da Lava-Jato do Rio que mirou escritórios de advocacia, a operação E$quema $. A PGR argumentou a Gilmar Mendes que a perícia na base de dados ainda estava em andamento e que só depois disso poderia verificar se houve alguma irregularidade.

A obtenção, pela PGR, das bases de dados da Lava-Jato nos Estados gerou duros embates entre o procurador-geral da República Augusto Aras e as forças-tarefas desde o ano passado. A PGR chegou a solicitar autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter o material. O então presidente Dias Toffoli concedeu autorização em julho do ano passado, durante o recesso do Judiciário, mas o ministro Edson Fachin revogou essa autorização.

A força-tarefa do Rio foi extinta no início deste ano por decisão de Aras e passou a compor um novo órgão criado pela PGR, o Gaeco do MPF do Rio. O procurador Eduardo El Hage, que coordenava a força-tarefa, passou a ser o coordenador do Gaeco.

Depois disso, a Corregedoria da PGR abriu uma inspeção sobre o acervo da força-tarefa de Curitiba e pediu cópia integral do material. Esse inquérito administrativo já foi concluído e enviado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal. A conclusão da inspeção sobre o acervo de Curitiba está mantida sob sigilo.

Procurada, a corregedora-geral do MPF Elizeta de Paiva Ramos afirmou que a correição é uma iniciativa da Corregedoria, sem relação com Aras.