Corregedoria da Polícia Civil vai investigar foto vazada de CAC com tatuagem de Lula

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Corregedoria da Polícia Civil vai investigar o vazamento da foto em que Ezequiel Lemos Ramos, 38, preso pelo assassinato da ex-companheira e do filho do casal de 2 anos, levanta a camiseta que veste para deixar visível uma tatuagem do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Ramos, preso de forma preventiva, tem o rosto de Lula tatuado no braço.

A imagem, que circula nas redes sociais, foi feita no 49° DP (São Mateus), na zona leste paulistana. Foi para aquela delegacia que ele foi levado assim que detido.

É praxe da Polícia Civil fotografar presos segurando um papel em que constam números de documentos pessoais e especificação do crime cometido. Mas é menos recorrente a divulgação de imagens que identifiquem tatuagens ou marcas pelo corpo.

Ramos foi preso por um policial militar de folga, na tarde de segunda-feira (12), logo após matar com tiros de carabina sua ex-esposa Michelle Nicolich, 37, e um dos filhos do casal, Luiz Inácio Nicolich Lemos.

"Se ele tem ou não tatuagem, no meu entendimento, não tem nenhuma relação com o crime", disse à Folha de S.Paulo o delegado titular do 49° DP, Leandro Resende Rangel, sem se alongar sobre o assunto.

A Polícia Civil confirmou que Ramos é CAC, ou seja, possui o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, grupo que conta com o apoio e já foi beneficiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Por exemplo, com a liberação para aquisição de mais armas, como fuzil.

Na tarde desta quarta (14), um irmão de Michelle postou em sua rede social o print de uma conversa da mulher. Não é possível identificar com que ela manteve o diálogo. Na mensagem, a vítima disse ter tido um sonho estranho. "Sonhei que morri. Levei um tiro no rosto do Ezequiel". A conversa ocorreu na tarde de sexta-feira (9), três dias antes de ser assassinada.

O CRIME

Conforme o boletim de ocorrência, Michelle Nicolich, 37, dirigia seu Fiat Uno pela avenida Rodolfo Pirani, após buscar os filhos pequenos na escola, quando Ramos atirou diversas vezes contra o veículo.

Ao perder o controle da direção do carro, o automóvel bateu contra um poste. Uma câmera de segurança flagrou o momento em que Ramos vai até o Uno e atira contra a ex-companheira.

Michelle e Luiz foram baleados e socorridos, mas morreram no hospital.

Ainda no local, segundo os policiais militares que atenderam a ocorrência, Ramos contou ter sido vítima de um golpe aplicado por Michelle, que teria causado um prejuízo de R$ 70 mil. Ele confirmou ter ido ao endereço para acertar as contas com a ex-companheira e que efetuou diversos disparos em direção do veículo.

Conforme sua narrativa, descrita pelos PMs, a arma usada no crime foi abandonada no interior do Fiat Mobi que ele conduzia. No entanto, policiais foram até o local em que o carro estava e não encontraram a arma. Foram localizados um carregador e grande quantidade de munição.

Durante seu depoimento, Ramos permaneceu calado. Ele também não apontou, na delegacia, o contato de seu advogado. Procurada, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça disse não ter acesso à defesa, já que o processo segue em segredo.