Correo Argentino, empresa da família do ex-presidente Macri, tem falência decretada

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(Arquivo) O ex-presidente argentino Mauricio Macri em Miami, Flórida, em 5 de maio de 2021

A justiça comercial argentina decretou nesta segunda-feira (5) a falência do Correo Argentino, cujo principal acionista é a família do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), após o fracasso de um longo processo de resgate em uma falência aberta há 20 anos.

Em uma decisão de 44 páginas à qual a AFP teve acesso, a juíza Marta Cirulli declarou a falência da empresa e ordenou "a inibição geral dos ativos (da empresa) sem prazo de validade".

As medidas tomadas poderão se estender ao grupo empresarial para fazer frente ao passivo do Correo, já que essa empresa já não tem atividades nem bens.

No domingo, em uma carta divulgada da Europa, por onde está viajando, Macri, líder da aliança de oposição de direita Juntos pela Mudança, disse ter sido vítima de perseguição judicial e acusou o governo de Alberto Fernández (peronista de centro-esquerda) de "buscar vingança" por meio do processo do Correo.

Em resposta, o ministro da Justiça, Martín Soria, apontou a mensagem como "uma tentativa grosseira de vitimização" por Macri pois "seu verdadeiro temor é que se faça justiça no caso do Correo e em todos os que investigam suas manipulações judiciais para se beneficiar política e economicamente às custas dos argentinos”.

A empresa ofereceu pouco mais de um bilhão de pesos (9,9 milhões de dólares) quando, segundo o Estado, a dívida real ultrapassa os cinco bilhões de pesos (49 milhões de dólares), devido à atualização dos valores.

A juiza considerou que um grupo de credores que havia dado consentimento à oferta 20 anos atrás, não apoiaria mais o acordo.

Após deixar de pagar a devida taxa para explorar a concessão do correio oficial, concedida em 1997, a dívida da empresa do Grupo Macri chegava a 296 milhões de pesos (na época, 296 milhões de dólares) em 2001, quando ela entrou no processo de acordo de credores.

O contrato de concessão foi rescindido em 2003 pelo então presidente Néstor Kirchner (2003-2007). Durante o governo Macri, o Estado argentino aceitou a oferta do Grupo Macri de pagar a dívida em 15 prestações, mas a Câmara Comercial considerou a proposta "desastrosa" para os cofres do Estado e a rejeitou.

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