Corretor de seguros, novo secretário de Educação do Rio reconhece 'não ser da área', mas diz: 'Sou um gestor'

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Novo secretário estadual de Educação, Alexandre Valle (PL) nunca trabalhou na área de ensino e admite não ter conhecimento sobre as políticas adotadas no setor. Em entrevista ao GLOBO, ele disse que sua indicação para substituir Comte Bittencourt (Cidadania) na pasta foi feita por seu partido, o mesmo ao qual o governador Cláudio Castro se filiou mês passado. Nos últimos dias, o Palácio Guanabara mudou o comando de outras três secretarias em busca de apoio político para Castro na próxima eleição.

Ex-deputado federal, Valle foi candidato à prefeitura de Itaguaí na última eleição, mas obteve apenas 8.354 votos. Na cidade, ele é mais conhecido como o dono da principal corretora de seguros da região.

Ainda em “fase de adaptação ao cargo”, como destacou, o novo secretário de Educação nega que a sua inexperiência no setor seja um obstáculo e afirma que a sua indicação não foi política, mas, técnica. Para isso, lembra que presidiu o Instituto de Pesos e Medidas e integrou o secretariado de Mangaratiba e Itaguaí.

— Eu não sou da área da Educação, mas fui deputado federal e presidi o Instituto de Pesos e Medidas. Sou um gestor. A Educação é um processo de política de estado. Na secretaria, temos quadros preparados para nos assessorar. Tenho me cercado de pessoas capacitadas. Eles estudaram para isso. O agente da educação é vocacionado — disse o secretário.

Apesar de Valle dizer que pretende se cercar de quadros técnicos capacitados para conduzir as políticas educacionais, dois nomes sem experiência no setor foram oficializados ontem na cúpula da secretaria, como mostrou o Diário Oficial. Wagner Alex Costa D’Almeida, que nunca trabalhou na área de ensino, será o chefe de gabinete. Já o engenheiro Pedro Luiz Barbosa, que também não passou pela Educação, segundo o currículo divulgado pelo próprio governo, ocupará uma superintendência na pasta.

Questionado sobre as suas prioridades iniciais para a secretaria, Valle diz que pretende ver todos os profissionais da rede estadual imunizados e conta que se deparou com um quadro inesperado. Segundo ele, a pasta não tem um levantamento de quantos funcionários já receberam a vacina até o momento, o que dificulta o planejamento de retomada das aulas presenciais.

— Nesse contexto de pandemia, a minha preocupação é sanitária, é com vidas. Cheguei aqui, e ninguém sabia me dizer quantos dos professores já foram vacinados com a primeira e com a segunda dose. Pedi um levantamento do quadro às secretarias de cada município. Como vou construir políticas públicas que incluem a volta às aulas, nesse momento, sem saber quem já está imunizado? Também pedi reuniões com representantes do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação). Preciso recorrer ao diálogo — diz ele, que ficará responsável por mais de 1.200 unidades de ensino, onde estudam mais de 729 mil alunos.

Com escolas e laboratórios espalhados por todo estado e o segundo maior orçamento do governo (R$ 8,5 bilhões, este ano), a pasta da Educação é vista com alto valor político e era disputada pelos partidos que têm fechado alianças com o governador. Não por acaso, o próprio partido de Castro ficou com a secretaria. A ideia é que o governador visite unidades de ensino no interior, para se tornar um “rosto mais conhecido do eleitorado”, afirmam pessoas próximas a Castro.

Em busca de maior apoio político, o governador mudou esta semana os titulares das secretarias de Trabalho e Renda, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Econômico.