Corrupção não deve pautar o voto em 2022, diz pesquisa de instituto dedicado ao tema

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma pesquisa online feita pelo Inac (Instituto Não Aceito Corrupção) com 1.600 pessoas afirma que a corrupção deixou de ser a principal preocupação dos brasileiros e, por isso, não deve pautar o voto no pleito deste ano.

A perda de protagonismo do tema identificada pela pesquisa reforça o que levantamentos de outros institutos já vinham apontando.

A saúde pública foi indicada por 26% dos entrevistados pelo Inac como o nicho que mais deve ser priorizado na pauta nacional. Na sequência, aparecem educação (23%), desemprego (13%) e corrupção (11%). Moradia (6%), inflação (5%) e violência pública (5%) são os que menos pontuaram.

As respostas foram coletadas pelo instituto por meio de um questionário virtual preenchido pelos próprios entrevistados. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 16 de junho deste ano e tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Dos respondentes, 44% eram homens e 56%, mulheres.

Situações em que um indivíduo leva vantagem sobre o outro estão entre as mais rejeitadas. Das atitudes listadas pela pesquisa e condenadas com mais frequência pelas pessoas ouvidas estão a falsificação de documentos e o recebimento de salário por servidores que não comparecem ao trabalho.

A pesquisa ainda afirma que a maior parte dos entrevistados associou o termo "corrupção" a palavras como "dinheiro público", benefício próprio", "vantagem", "roubo", "desvio" e "caráter".

Já situações que configurariam corrupção, mas presumiam "algum tipo de ajuda ao próximo" foram mais bem recebidas, segundo o Instituto Não Aceito Corrupção. Os entrevistados elencaram o relaxamento de uma multa de trânsito diante de uma situação de emergência como a mais admissível —60% classificaram a prática como muito aceitável, 17% como medianamente aceitável e 23%, como nada aceitável.

A oferta de refeições ou café da manhã como cortesia a policiais é a segunda atitude mais aprovada pelas pessoas ouvidas. Para 31%, a prática de padarias e restaurantes é muito aceitável, enquanto outros 31% não viram problema e 38% consideraram não ser nada aceitável.

Deixar de pedir nota fiscal para pagar menos por um produto e contratar serviços clandestinos de rede elétrica ou de TV foram reprovadas por 72% e 74% dos que responderam o formulário, respectivamente.

O levantamento do Inac ainda afirma que a maior parte dos entrevistados disse não saber se seu município tem algum tipo de auditoria contra a corrupção. A falta de informação também paira sobre os canais de denúncia, pouco conhecidos pelos entrevistados.

O estudo é assinado pelos professores Rita Biason, da Unesp, Roberto Livianu e André Aquino, da USP, Agatha Paraventi, da Faculdade Cásper Líbero, e Kleber Carrilho, do Ipam Lisboa.