Corte Suprema da Rússia extingue mais antiga ONG de defesa dos direitos humanos

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O Supremo Tribunal russo ordenou a dissolução da ONG Memorial nesta terça-feira (28). O grupo era a mais antiga organização de defesa dos direitos humanos na Rússia e guardiã da memória do Gulag. A decisão marca uma nova etapa da repressão russa, que se acelerou ao longo de 2021.

Jean-Didier Revoin, correspondente da RFI em Moscou.

A mais antiga e mais respeitada organização de direitos humanos da Rússia foi extinta pela Justiça. A razão, de acordo com o processo, é que ela não cumpriu com suas obrigações relativas ao status de “agente estrangeiro”, o que seria o equivalente à classificação “inimigo do povo” existente à época da União Soviética.

De nada adiantou o barulho internacional provocado pela ameaça de fechamento desta tradicional ONG e o grande movimento de apoio vindo de todas as partes do mundo.

A extinção pode ser o golpe de misericórdia desta organização que se tornou um símbolo da democratização dos anos 1990. Fundada em 1989 por dissidentes soviéticos, incluindo o ganhador do Prêmio Nobel da Paz Andrei Sakharov, a organização é respeitada por suas investigações rigorosas, dos crimes stalinistas a abusos na Chechênia. Nos últimos anos, a Memorial elaborou uma lista de presos políticos aos quais ofereceu assistência, além de migrantes e pessoas de minorias sexuais.

Este veredicto contra a ONG é mais um exemplo da política repressiva adotada pelas autoridades russas, que buscam pressionar, dissuadir e silenciar todas as vozes muito críticas em relação ao sistema.

“Parece que estamos enfrentando um retrocesso bastante perigoso. Faz quase 30 anos da queda da URSS, e temos a impressão de ver um retorno ao período soviético”, critica.

França critica decisão


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