Cortes e bloqueios: Por que está faltando dinheiro no final do governo Bolsonaro?

Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A menos de um mês do fim do mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões no Orçamento de 2022. Ao longo o ano, já foram contingenciados R$ 15,3 bilhões.

Dentre os ministérios que tiveram recursos bloqueados, o da Saúde e o da Educação estão entre os mais afetados.

Mesmo faltando verba para educação e saúde, por exemplo, há dez anos não se arrecadava tanto imposto.

Então, por que está faltando dinheiro na gestão Bolsonaro?

Reportagem do portal g1 esclarece que o teto de gastos, que vale desde 2017, prevê que as despesas do governo só podem crescer, a cada ano, o equivalente à inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior.

Isso significa que se a inflação for de 6%, os gastos podem crescer 6%.

Mas o que são as despesas do governo? Aquelas obrigatórias, como salários de servidores, e os “discricionários”, como investimentos a gastos como contas de luz, aluguéis e compras de equipamentos.

Como o teto de gastos não muda com o aumento da arrecadação e as despesas obrigatórias cresceram, não há muita verba para as despesas discricionárias, fazendo com que muita coisa seja cortada.

O resultado disso? Universidades sem recursos, residentes de medicina —que atendem em hospitais universitários —e bolsistas da Capes sem pagamento, falta de medicamentos no programa Farmácia Popular e até carros da PRF (Polícia Rodoviária Federal) com manutenção suspensa.

É importante dizer, ainda, que esse resultado é fruto de escolhas ruins feitas pelo governo.

Ainda conforme reportagem do portal g1, só em 2022, foram R$ 16,5 bilhões destinados ao chamado "orçamento secreto”, dinheiro que carece de transparência.

Há ainda os gastos do governo que ocorreram antes das eleições na tentativa de reeleger Jair Bolsonaro, estratégia que não deu certo, como pagamentos do Auxílio Brasil e auxílios a caminhoneiros e taxistas.