Cortes no orçamento retratam a pobreza de espírito do governo Bolsonaro

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Brazilian President Jair Bolsonaro attends a news conference after meeting with his Surinamese counterpart Chandrikapersad Santokhi and his Guyanese counterpart Irfaan Ali to discuss economic cooperation following recent discoveries of oil and gas by Suriname and Guyana, in Paramaribo, Suriname, January 20, 2022. REUTERS/Ranu Abhelakh
Foto: Ranu Abhelakh/Reuters

O orçamento para 2022 sancionado por Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (24) é uma amostra da pobreza de espírito de quem nos governa.

O presidente não quis peitar o Congresso ao manter, para o fundo eleitoral deste ano, um valor de R$ 4,9 bilhões para irrigar as campanhas Brasil afora. Com a terceira maior bancada da Câmara, o PL, seu novo partido, receberá um bom naco do valor. O orçamento, neste trecho, tinha um bode na sala que elevava o fundão a R$ 5,7 bilhões. Para a sua plateia, Bolsonaro poderá dizer que economizou R$ 800 milhões, e não que deixou passar para a campanha um valor três vezes superior ao das eleições de 2020.

Bolsonaro também manteve alto o sarrafo das emendas do relator, na ordem de R$ 16 bilhões. É uma fonte inesgotável de apoio sincero e desinteressado para manter na órbita os parlamentares beneficiados, apesar do sinal amarelo já aceso pelo STF sobre a quebra dos princípios de transparência da jogada.

Vida que segue.

Nos cortes da tesoura é que se apresenta o espírito famélico do presidente. Ele se negou a aprovar, por exeplo, R$ 945 mil para políticas de igualdade e enfrentamento à violência contra as mulheres. Um simples detalhe em um país que matou quatro mulheres por dia, em média, só no primeiro semestre do ano passado.

Bolsonaro também vetou recursos de apoio a projetos de tecnologias relacionados ao desenvolvimento sustentável no país que registrou recorde de queimadas na Amazônia e outros biomas. Os cortes chegam a R$ 35 milhões.

Ele vetou outros R$ 8,5 milhões destinados a formação, capacitação e fixação de recursos humanos para o desenvolvimento científico. E o fomento a ações de graduação, pós e extensão nacional, para o qual era requisitado R$ 4,2 milhões.

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Como prometido desde a campanha de 2018, Bolsonaro mandou uma grande banana para índios e quilombolas ao vetar recursos mínimos para reconhecimento e indenização de seus territórios (R$ 85,9 mil), para a consolidação de assentamentos rurais (R$ 85,9 mil), para a reforma agrária (R$ 85,9 mil), a demarcação de terras indígenas (R$ 773 mil) e a proteção dos direitos de seus povos (R$ 859 mil).

Os valores são inferiores ao que o governo gasta com a segurança do presidente em suas motociatas. Os cortes mais parrudos ficaram mesmo sobre os ministérios da Educação e do Trabalho.

O problema ali não é dinheiro, é a mensagem. Bolsonaro deixou de fora do orçamento tudo o que despreza, mas baixou a guarda para não desagradar os próceres do centrão, sem os quais não teria chegado até onde chegou.

Bolsonaro não quis explicar suas razões.

Sua agenda para o primeiro dia útil da semana foi cancelada sem que uma justificativa fosse apresentada. No dia em que o orçamento foi sancionado, o presidente anunciou não ter qualquer compromisso oficial.

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