Cortes russos no fornecimento de gás são um 'ataque' contra Europa, diz Alemanha

A Alemanha afirmou nesta terça-feira que as reduções na entrega de gás russo aos países europeus constituem um “ataque” com a finalidade de “semear o caos no mercado energético” do continente. Os cortes continuam a fazer o preço da energia disparar, fazendo a região recorrer a fontes alternativas para driblar sua dependência energética de Moscou.

O preço do gás na região chegou a registrar alta de 6,7% nesta terça, conforme alemães, austríacos e holandeses apostam novamente no carvão para garantir que haverá energia suficiente para suprir suas demandas. Na Alemanha, as indústrias estão se preparando para reduzir o consumo de gás: o objetivo é aumentar os estoques para o inverno, disse o governo.

— A redução do fornecimento de gás pelo gasoduto Nord Stream 1 é um ataque — afirmou o ministro da Economia e do Clima alemão, Robert Habeck, durante um discurso para empresários nesta terça. — [O objetivo] é semear o caos no mercado europeu de energia.

Os cortes russos ameaçam a economia europeia em um momento em que a inflação já está alta e o crescimento é fraco. A Uniper, maior compradora de gás russo na Alemanha, disse que pode ser difícil fornecer a seus próprios clientes se a situação persistir.

— Hoje nós cumprimos os contratos que assinamos com nossos clientes, mas até que ponto podemos continuar a fazer isso, eu não sei — disse Klaus-Dieter Maubach, CEO da Uniper, em entrevista. — Para nós, é um momento histórico. Nunca vimos uma interrupção tão longa nos fluxos de gás russo.

No fim de semana, a maior economia europeia anunciou que reativaria “a curto prazo” usinas a carvão e aumentaria o financiamento para garantir gás suficiente para o inverno, algo que deve custar ao redor de 15 bilhões de euros. Antes da invasão, o país importava cerca de 55% do seu gás natural da Rússia, porcentagem que hoje fica ao redor de 35%.

Os impactos se disseminam, com a Dinamarca fazendo um “alerta inicial” sobre o risco de escassez e países com a Áustria e a França reativando usinas de carvão. A operadora fracesa de gás Engie disse não ter dificuldades para atender seus consumidores porque recorre a fornecedores alternativos, segundo sua chefe de soluções energéticas, Cecile Previeu.

Os cortes e redução no fluxo de gás são uma retaliação à chuva de sanções ocidentais contra Moscou, impostas em resposta à invasão na Ucrânia. Putin, em resposta, impôs condições para exportar seu gás: o pagamento deve ser rublos, através de contas abertas em bancos russos, exigências que deixam as empresas passíveis de sanções europeias e americanas.

Várias companhias se recusaram a acatar os termos de Moscou, que suspendeu o fornecimento para uma série de países como Bulgária, Polônia, Finlândia, Holanda e Dinamarca.

A redução drástica dos últimos dias veio após a estatal russa Gazprom reduzir o fluxo de gás pelo Nord Stream 1 para cerca de 40% de sua capacidade. O gasoduto, que cruza o Mar Báltico da Rússia até o território alemão, era responsável por entregar mais de 40% de todo o gás que chegava na UE antes da guerra.

A Gazprom pôs a culpa em uma turbina enviada à Siemens para reparos, que não retornou a tempo — algo confirmado pelo grupo alemão. A justificativa, contudo, não satisfez os europeus, que a classificaram como uma “decisão política” do Kremlin. E o fornecimento de gás no próximo mês pode ser ainda mais apertado, já que o Nord Stream 1 deve ser desligado por vários dias para manutenções anuais previamente agendadas.

As reservas de gás da Europa estão hoje a 55% da sua capacidade e há reabastecimento do estoque, mas os problemas na distribuição significam que a meta de elevar a porcentagem para 80% até novembro “será uma preocupação”, segundo o grupo ING Groep NP. Isso, na prática, significa que o continente corre o risco de não ter combustível suficiente para se aquecer no inverno.

O preço do gás na Holanda, a referência europeia, registrava uma alta de 3,4% no início da tarde em Amsterdã, chegando a 124,75 euros por megawatt-hora. Na segunda, registraram uma alta de 2,5%, e o equivalente no Reino Unido cresceu 6,6%.

Simultaneamente, os preços da eletricidade pelo continente também dispararam: na Alemanha, o aumento foi de 4,7%, chegando a 269 euros por megawatt-hora. O preço da energia nórdica para o próximo trimestre chegou a registrar um aumento de 6%, o maior desde março, conforme os baixos níveis hidrelétricos aumentam a pressão regional. (Com AFP)

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