Costureiras e indústria passam a contar com normas técnicas para produzir máscaras de tecido

LUCIANO TRINDADE
São Paulo (SP), 11/04/2020 -COVID 19: Máscaras artesanais com padrões. Durante a pandemia de coronavírus (COVID-19), o Ministério da Saúde instruiu a população a fabricar máscaras de pano, utilizando materiais de boa qualidade e higienizados adequadamente. ( Foto: Cris Faga/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Item obrigatório em várias cidades brasileiras e indispensável em todo o país para a prevenção da Covid-19, as máscaras de tecido destinadas à população em geral passarão a ter a partir desta quarta (29) um manual de confecção desenvolvido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

O órgão definiu as especificações técnicas para que o protetor possa ser fabricado em larga escala pela indústria, por produtores artesanais, além de confecções domésticas.

O manual apresenta indicações para confecção, uso, higienização e descarte. O guia completo pode ser baixado clicando aqui.

"Como tem sido bastante recomendado [o uso de máscaras] e não havia nenhuma norma para as máscaras de uso não cirúrgico, nós levamos 20 dias para fazer um documento com as normas práticas baseado em um manual europeu", afirmou o presidente da ABNT, Mario William, à reportagem.

As especificações regulamentadas pela entidade são baseadas em normas editadas na Espanha e na França, segundo William, e contam com orientações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"Nós tivemos uma reunião com a Anvisa ontem [segunda-feira (27)], e eles fizeram várias sugestões interessantes que foram incorporadas. A Anvisa vai recomendar que seja seguido essa norma da ABNT", disse Mario William.

De acordo com o documento, as máscaras devem proteger a boca, o nariz e o queixo e não devem possuir válvulas inspiratórias ou expiratórias.

Na confecção, deve-se evitar o uso de tecidos como poliéster puro e outros sintéticos e dar preferência, sendo recomendado o uso de tecidos que tenham pelos menos 90% de algodão na sua composição.

O produto deve possuir três camadas: uma com tecido não impermeável na parte frontal, uma de tecido respirável no meio e uma de tecido de algodão na parte em contato com a superfície do rosto.

Também é importante evitar tecidos que retenham calor, leves e muito porosos. Também não é indicado usar grampos ou clipes no design das máscaras.

As alças devem cercar a cabeça ou as orelhas e podem ser feitas com elásticos ou um laço de tecido, costurados ou soldados às máscaras.

Apesar do aumento na demanda destes insumos, o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Fernando Pimentel, afirma que não há risco de falta de matéria prima no mercado.

"Como nos últimos 20, 30 dias houve uma explosão [na procura de máscaras], nós temos um quadro em que se está ajustando a oferta e a demanda", explica. "Dentro dessa situação, o mercado tem a oferta, mas está regularizando esse fluxo de compra e venda, mas não há escassez de matéria prima, de tecido", diz.

Segundo Pimentel, mais de 100 empresas, de médio e grande porte, espalhadas por todo o país, estão se preparando para produções em larga escala.

As máscaras comercializadas para a população geral são reutilizáveis. A ABNT, contudo, definiu normas para garantir a integridade do produto durante o seu período de validade.

Cada usuário não deve utilizar a mesma proteção por mais de 3 horas. Ao retirar as máscaras do rosto, deve-se manusear tocando apenas nas alças. Na higienização, é recomendável colocá-las para lavar em máquinas em um ciclo de 30 minutos, sem utilizar amaciantes.

A ABTN também recomenda evitar colocar as máscaras para lavar junto com outras roupas. O ideal seria usar tecidos velhos e inutilizados (como lençóis e toalhas) para completar a carga necessária para o ciclo eficiente de lavagem nas máquinas.

Há, ainda, a opção de lavagem em um recipiente com água potável e água sanitária, deixando de molho por 30 minutos. Após o tempo de imersão, realizar o enxágue em água corrente duas vezes, sem torcer a máscara. Em média, a qualidade do material da máscara deve resistir a 30 ciclos de lavagem.

Ao fazer a secagem ao ar livre, deve-se embalar as máscaras em embalagens de tecido, que também tenha sido devidamente higienizados, garantindo que elas não apresentem contato direto com o ar.

O descarte das máscaras que estejam desgastadas deve ser feito em embalagens duplas para evitar que o risco de uma ruptura da primeira embalagem possa expor a máscara novamente.