Cotação do petróleo desaba 20% após Arábia Saudita anunciar corte de preço e aumento de produção

Gabriel Martins, com agências internacionais

RIO e NOVA YORK - Os preços do petróleo desabaram no mercado internacional diante da tensão entre os países membros da Organização Mundial do Petróleo (Opep), que não chegaram a um acordo que visava diminuir a produção do óleo por conta dos impactos econômicos globais causados pela emergência global do novo coronavírus.

Os contratos futuros do barril de petróleo tipo Brent, negociados na Bolsa de Londres, operam com forte perda de 19,5%, cotados a US$ 36,42. Na sessão da última sexta-feira, o preço estava em queda, na faixa dos US$ 45, com o mercado repercutindo a falta de acordo na Opep.

A causa do mergulho no preço do petróleo nesta sessão foi a decisão unilateral da Arábia Saudita de cortar os preços dos barris produzidos em seu território, dando início a uma "guerra de preço" em relação à commodity.

De acordo com a agência Reuters, a Arábia Saudita planeja aumentar a produção de petróleo acima de 10 milhões de barris por dia em abril, após o atual acordo para restringir a produção entre a Opep e a Rússia (conhecido como OPEP +) expirar no fim de março.

— Tanto a Arábia Saudita quanto a Rússia estão sob um acordo que limita a produção de petróleo, até o fim de março. Uma vez que esse acordo termine, eles podem produzir o quanto quiser. O medo é que esses dois países comecem a extrair muito petróleo, fazendo o preço desmoronar por causa de uma enxurrada de oferta no mercado — indica Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.