Cotados para sucessão municipal em Niterói buscam ampliar visibilidade junto ao eleitorado

Leonardo Sodré
Prédio da prefeitura, no Centro: nomes cogitados para disputar o cargo máximo do Executivo ampliam exposição.

NITERÓI — Faltando pouco menos de nove meses para que os partidos apresentem os candidatos às eleições municipais, nomes cotados pelo prefeito Rodrigo Neves à sua sucessão já se movimentam em busca de ampliar a exposição junto ao eleitorado. É o caso da secretária municipal de Fazenda, Giovanna Victer, e do deputado estadual Paulo Bagueira (SDD), que contrataram equipes de comunicação para cuidarem exclusivamente de suas redes sociais. Cada vez mais presentes em inaugurações e visitas a obras ao lado de Rdorigo Neves, junto a outro possível candidato, o secretário Executivo do município, Axel Grael, eles disputam ainda com Comte Bittencourt (Cidadania), Chico D’Angelo (PDT) e Waldeck Carneiro (PT) a preferência do grupo político que administra a prefeitura. O PSOL já definiu o nome de Flávio Serafini.

Apesar de a maior parte dos possíveis concorrentes ser de nomes conhecidos na política niteroiense, a eleição do ano que vem tende se diferenciar por conta da divisão do grupo que foi para o segundo turno no último pleito marcando antagonismo a Rodrigo Neves. Felipe Peixoto, que disputou em 2016 pelo PSB, e seus então apoiadores, o vereador Bruno Lessa (PSDB) e Carlos Jordy, eleito vereador pelo PSC, devem ser concorrentes. Filiado atualmente ao PSD, Felipe costura o apoio de Lessa, mas rompeu com Jordy, que na última eleição migrou para o PSL, junto do presidente Jair Bolsonaro, e não descarta a possibilidade de acompanhá-lo na criação de uma nova sigla para concorrer por ela à prefeitura.

— O presidente já declarou que tende a sair do PSL e disse que há 90% de chance de criar um novo partido. Então, eu acompanho o voto do relator. Ser candidato a prefeito de Niterói vai ser uma decisão do presidente. Estarei pronto para atender — diz Jordy.

A provável saída de Jordy do PSL abre caminho para a candidatura do deputado estadual Gustavo Schmidt pelo partido. Ele já se coloca como pré-candidato e, apesar da fragmentação da ala oposicionista conservadora, diz que busca unidade.

— Vejo uma rejeição à forma como a cidade tem sido governada, com uma oposição ao atual prefeito e a seu grupo político, que continuam praticando a velha política. Mas a oposição apresenta, entre si, divergências que precisam ser equacionadas, para que não haja uma grande fragmentação — considera.

Enquanto o grupo de oposição mais conservador aposta em municipalizar o debate ideológico que foi a tônica das últimas eleições presidenciais, Felipe Peixoto, que representa uma ala mais moderada, não vê temas polêmicos como o caminho para conquistar o eleitorado na disputa pela prefeitura.

— Não fujo de temas polêmicos, mas são posicionamentos pessoais que não influenciam a administração da prefeitura. Ser prefeito está acima de preceitos religiosos porque se governa para todos. Vamos focar em debater propostas para melhorar a cidade — diz.

Flávio Serafini é o único cujo partido já apresentou oficialmente como pré-candidato. Eleito deputado estadual com maior número de votos na cidade (23.300) em 2018, ele acredita que, com a melhora de sua performance nas urnas e a divisão do grupo conservador, estará no segundo turno.

— A atual administração municipal não tem se afastado da política tradicional. Está muito distante da participação popular. A direita terá duas candidaturas, e nós seremos a única oposição à esquerda — avalia Serafini.

Candidados a prefeito

Na lista de possíveis candidatos à sucessão de Rodrigo Neves, Axel Grael se diz pronto para defender o legado da atual administração:

— Ainda não está definido se serei o candidato, mas gostaria de ser. Avançamos muito nos últimos anos e ainda podemos avançar mais.

Giovanna Victer, que sempre teve uma atuação técnica no governo, mais de bastidores, recentemente tem sido onipresente em atividades ao lado do prefeito e nas redes sociais. Ela ainda não é filiada a um partido, mas não descarta concorrer.

— Isso (ser candidata) não é um assunto para agora. Minha atuação ficou mais aparente para a população depois que fui para a Secretaria de Fazenda, que tem uma relação mais forte com a cidade, mais direta. Na Secretaria de Planejamento (que ocupava antes), minha atuação era mais voltada para questões internas da administração — justifica.

Paulo Bagueira também se coloca no páreo.

— Estou preparado para ser candidato à sucessão do prefeito Rodrigo Neves caso seja essa a escolha do nosso grupo político — anuncia.

Nos bastidores, a tendência é que a chapa escolhida para concorrer à sucessão de Rodrigo Neves seja formada por um candidato outsider, que seria mais ligado à área administrativa, como Axel Grael ou Giovanna Victer, com outro político experiente, como Paulo Bagueira, Comte Bittencourt, Chico D’Angelo e Waldeck Carneiro.

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