Covas adia mais uma vez a entrega de tablets a alunos e só deve conclui-la em agosto

ISABELA PALHARES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão Bruno Covas (PSDB) adiou mais uma vez a entrega dos tablets para os alunos da rede municipal e só deve conclui-la em agosto. Promessa de campanha do tucano, a distribuição de 465 mil equipamentos foi anunciada como uma das apostas para reduzir os prejuízos educacionais provocados pela pandemia. Os dispositivos, no entanto, só vão chegar a todos os estudantes no 2º semestre letivo, um ano após o anúncio da compra. Enquanto os tablets não são entregues, as aulas online continuam acontecendo na rede municipal paulistana, com baixa participação de estudantes, como ocorreu em 2020. A Secretaria Municipal de Educação não informou o motivo do atraso na entrega, que já tinha sido anunciada para fevereiro e maio. Também não informou quantos alunos já receberam o equipamento. Nem mesmo foi cumprida a promessa de entregar o equipamento prioritariamente aos 10% de alunos que menos tiveram acesso online. A previsão era de que 45 mil estudantes os recebessem até o fim de dezembro do ano passado. Até agora, no entanto, apenas cerca de 20 mil tablets foram entregues às escolas. A pasta não informou se eles já foram distribuídos aos alunos. Karina do Carmo Neto, 26, não sabe se a filha, de 8 anos, está no grupo com prioridade para receber o equipamento. Também não sabe qual é a previsão de entrega. Enquanto isso, a menina só faz as atividades de duas apostilas que recebeu da escola Jardim Damasceno 1, na região de Pirituba. "Ela não acompanhou nada no ano passado, não fez nenhuma lição, não aprendeu nada. Ela sabe ler, mas a escrita dela piorou demais desde que parou de ir à escola", contou a mãe, que trabalha com reciclagem e passa o dia todo fora, sem poder ajudar a menina a estudar. Ela não quis que a menina voltasse a frequentar as aulas ainda por ter medo de que seja infectada. No começo do ano, comprou um celular usado de uma vizinha para que a filha fizesse as lições. "Mas ele é bem antigo. Se tivesse um equipamento mais novo, acho que seria um pouco mais fácil de acompanhar." O corretor de imóveis André Roberto da Silva, 56, reveza o computador com a esposa e a filha de 15 anos, que está no 9º ano do ensino fundamental. Ele conta que a jovem está cada vez mais desmotivada pela dificuldade em estudar. "Ela está chateada porque é difícil estudar pelo celular e também é ruim ter que dividir o computador antigo com os pais. Ela diz que tem medo de chegar ao ensino médio sem saber o que precisa", contou. A menina estuda na Emef Jean Mermoz, na região do Ipiranga. Apesar de as aulas presenciais terem sido retomadas, a menina só frequentou a unidade uma vez neste ano. Os pais temem que ela seja contaminada e parte dos professores está em greve. "Ela foi um dia e só tinha mais dois alunos da sala. Ela não se sentiu segura e nós também não." A compra dos 465 mil tablets foi anunciado em agosto do ano passado, após cinco meses do fechamento das escolas. Em setembro, o TCM (Tribunal de Contas do Município) suspendeu a licitação e a secretaria argumentou à época que a compra era necessária o mais rápido possível para garantir as aulas a distância e o programa de recuperação de 2020 e 2021. Apesar de não ter esclarecido o motivo do novo adiamento, a secretaria disse que não entrega durante o recesso que suspendeu as aulas entre 17 de março e 12 de abril -quando a cidade estava na fase emergencial. "A entrega é descentralizada e realizada pelas escolas que, em função do momento da pandemia, estão escalonando a distribuição seguindo os protocolos e segurança. As famílias dos estudantes serão avisadas das datas e horários para retirada do equipamento nas unidades para evitar aglomerações. A previsão de término da entrega é até agosto", disse em nota.