Covas comete ato falho sobre apoio de Doria, defende vice e ataca Russomanno

ARTUR RODRIGUES E JOELMIR TAVARES
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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 04.04.2019 - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 04.04.2019 - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Candidato à reeleição para prefeito de São Paulo e atual líder das pesquisas, Bruno Covas (PSDB) cometeu um ato falho ao comentar a ausência do governador João Doria (PSDB) em sua campanha, durante a sabatina do jornal Folha de S. Paulo em parceria com o UOL, nesta quinta-feira (5).

Covas também defendeu seu vice Ricardo Nunes (MDB) e a atacou Celso Russomanno (Republicanos).

"Não tenho nenhum problema em esconder o apoio do governador João Doria, mas o candidato sou eu", afirmou Covas, que na sequência repetiu o discurso que vem apresentando sempre que questionado sobre a distância do aliado, rejeitado por 39% dos moradores da capital, segundo o Datafolha.

"Eu não escondo nenhum apoio que eu tenho", disse o prefeito. Pesquisa Datafolha de setembro mostrou que 59% dos paulistanos disseram não votar de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo governador, rejeição maior que a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como mostrou a Folha, Doria virou alvo preferencial de ataques dos rivais de Covas e não apareceu até hoje nas propagandas do tucano.

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Covas usou a pergunta na sabatina para alfinetar o adversário Celso Russomanno (Republicanos), que busca garantir uma vaga no segundo turno contra ele, ao mesmo tempo em que derrete nas pesquisas.

O candidato à reeleição disse que "estranho seria o governador João Doria deixar o governo do estado para se dedicar à campanha na cidade de São Paulo".

E completou: "Estranho seria secretários estaduais deixarem seus afazeres para passar o dia no comitê do candidato Bruno Covas, como a gente vê ministros saindo de Brasília para fazer campanha para outros candidatos aqui em São Paulo".

Russomanno tem o apoio de Jair Bolsonaro (sem partido), e teve reuniões em São Paulo nos últimos dias com auxiliares do presidente, como o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fabio Wajngarten, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Deputados, empresários e líderes de movimentos de rua alinhados ao bolsonarismo também se engajaram nos últimos dias na candidatura do deputado e apresentador de TV.

Em outra crítica a Russomanno, Covas reagiu às declarações do adversário sobre sua saúde. O tucano, que faz tratamento contra um câncer desde o ano passado, reiterou na sabatina que, embora não esteja curado, tem boa condição de saúde e foi liberado pelos médicos para suas atividades normais.

Na semana passada, o deputado colocou em dúvida a recuperação do tucano e disse que, se ele for reeleito, será o candidato a vice, o vereador Ricardo Nunes, quem assumirá a prefeitura.

"Lamento as declarações do meu concorrente, porque acho que elas não são prejudiciais a mim. Eu estou em campanha e preparado para qualquer tipo de agressão. Acho que são uma agressão para todos aqueles que se encontram em tratamento oncológico na cidade de São Paulo, para todos os seus familiares", afirmou Covas.

"A gente precisa virar essa página de que um diagnóstico de câncer é uma sentença de morte", completou.

O candidato do PSDB também defendeu Nunes das suspeitas que pesam contra ele por sua atuação no setor de creches do município, e afirmou que não há nada que desabone seu colega de chapa.

A Folha publicou uma série de reportagens mostrando a ligação de Nunes com locadores de creches e direção de entidades conveniadas. De acordo com Covas, "o fato de ele conhecer pessoas do bairro dele em nada limita a sua atuação".

"Não há nenhum problema em defender a sua região, não há nada que desabone o meu candidato a vice, não há nenhuma condenação", disse.

"Todos os contratos que envolvem o vereador Ricardo Nunes mencionados por vários jornais são contratos da administração anterior. Nenhum contrato é desta administração."

Covas saiu em defesa do vice também no caso do boletim de ocorrência registrado contra Nunes pela mulher dele, Regina Carnovale, que, conforme mostrou a Folha, acusou o vereador de violência doméstica e ameaça.

"Tanto o Ricardo quanto a Regina negam que houve qualquer tipo de violência física. São denúncias de 2011 que não geraram nenhum tipo de de ação contra um ou contra o outro", disse.

Covas aproveitou a resposta para citar uma série de ações de sua gestão para coibir a violência doméstica e para alfinetar Márcio França (PSB), outro adversário na corrida à prefeitura.

"Não sou daqueles candidatos a prefeito que acham que polícia não precisa intervir em caso de violência doméstica", disse o tucano. A frase é uma indireta a França, que disse em 2018, quando era governador, que brigas de casal sobrecarregam a polícia.

O tema foi trazido à tona no início da campanha pelo candidato Guilherme Boulos (PSOL) e tem sido desde então objeto de embate entre o líder de movimentos de moradia e o ex-governador.

O tucano ainda defendeu a política de indicação de aliados na Prefeitura de São Paulo, ao ser questionado sobre a ingerência de aliados, incluindo a atuação do vereador Milton Leite (DEM).

"Todos os partidos que estão coligados conosco vão poder apresentar nomes. Desde que sejam nomes que tenham currículo, preparo. A cidade de São Paulo é heterogênea. Seria muito pouco para a cidade de São Paulo ter pessoas relacionadas e amigas do prefeito Bruno Covas", disse.

Covas é atual prefeito de São Paulo, candidato à reeleição. O tucano também é advogado e economista. Foi deputado federal entre 2015 e 2016, e estadual, de 2007 a 2014.