Covas diz não ser biruta de aeroporto para mudar opinião sobre Bolsonaro para ganhar voto

ARTHUR RODRIGUES
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SÃO PAULO/SP, BRASIL, 18.11.2020- Bruno Covas, durante Café na Padaria Vida Nova no Jardim São Luís. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
SÃO PAULO/SP, BRASIL, 18.11.2020- Bruno Covas, durante Café na Padaria Vida Nova no Jardim São Luís. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (18) que não é biruta de aeroporto para mudar seu posicionamento contrário a ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ganhar votos.

A declaração foi dada no Jardim Angela, extremo sul, em ato de campanha com os vereadores Milton Leite (DEM) e Ricardo Nunes (MDB), também vice na chapa de Covas.

Nas redes sociais tem circulado foto e vídeos mostrando uma selfie de Covas com João Doria (PSDB) e Bolsonaro.

"Não sou biruta de aeroporto para mudar conforme a orientação de vento. Sou o mesmo Bruno fora da campanha, no primeiro turno, no segundo turno. Anulei meu voto na eleição presidencial de 2018 por não ver no Bolsonaro nenhum discurso que agregasse valores democráticos na campanha dele", disse.

Covas afirmou ter se posicionado contra ações de Bolsonaro durante vários momentos, lembrando quando disse que vetaria mudanças em livros didáticos revisionistas da Ditadura Militar. "Ou seja mantenho meu posicionamento contrário a vários posicionamentos dele, seja na área de direitos humanos seja na área ambiental, seja na área da cultura eu continuo o mesmo Bruno de sempre, não vou mudar para ganhar eleição ou apoiador".

Após receber apoio de Celso Russomanno e de sua sigla, o Republicanos, Covas negou que esse aceno pudesse atrapalhar em sua campanha. "Apoio do Russomanno ajuda, não há maior dúvida. Dele e do Republicanos. Ele teve 10% dos votos aqui. Não há nenhum problema em agregar apoios nesse segundo turno. Até porque estamos falando de apoio programáticos para a cidade".

Covas disse que o acordo foi feito com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e que chegou conversar por telefone com Russomanno.

O candidato fez críticas muito duras a Covas no primeiro turno. Mas o Republicanos tem histórico de se manter na situação e geralmente consegue cargos em troca.

O prefeito também falou sobre o episódio em que se desculpou com seu adversário Guilherme Boulos (PSOL) após críticas de seu aliado, o ex-deputado federal Ricardo Tripoli, que disse num evento que o líder de movimento de moradia mata a mãe parar ir a baile de órfãos.

Segundo Covas, ele disse ao aliado que quer manter o debate sem ataques. "Falei que não era esse tipo de atitude que eu quero ver na campanhas eleitoral. Vamos manter o mesmo bom nível do primeiro turno, é possível fazer critica, é possível comparar currículo, é possível verificar o que cada um construiu ou destruiu em São Paulo sem ter que fazer alegorias como esta", disse Covas.

"Nós temos um adversário extremamente agressivo, quem assistiu o debate ontem viu. Ele é o cara que mata a mãe para ir no baile de órfãos. Mata a mãe para ir ao baile de órfãos, para poder entrar. Imaginam a agressividade que esse sujeito tem", afirmou Tripoli no evento.

O evento de campanha do prefeito teve aglomeração e Covas disse que repreendeu uma pessoa sem máscara. "Eu já inclusive pedi para uma que estava próximo de mim para colocar a máscara, não é porque é campanha que o vírus acabou. Evitando aglomeração, evitando ao máximo, mas é difícil também segurar o apoio das pessoas que querem vir aqui ajudar".