Covas ganha direito de resposta por vídeo em que Arthur do Val diz não gostar de bandido

MÔNICA BERGAMO
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SÃO PAULO, SP, BRASIL, 04-04-2019: Entrevista com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 04-04-2019: Entrevista com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça Eleitoral de São Paulo concedeu direito de resposta do prefeito da capital paulista e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) em face do também postulante ao cargo Arthur do Val (Patriota), o Mamãe Falei.

A decisão se baseia em propaganda eleitoral da campanha de do Val que afirma que "Covas é Doria. Boulos é Lula. A gente vai deixar nossa cidade nas mãos deles? Se você é pelo Brasil, se você não gosta de bandido, eu sou o seu candidato. Não tenho medo de dizer que sou o candidato da direita".

Segundo a decisão assinada pelo juiz Renato de Abreu Perine, a defesa de Covas alegava que o conteúdo em questão ofende a dignidade do atual tucano ao chamá-lo de bandido.

Em resposta, o candidato pelo Patriota argumentou que o termo "bandido" não foi dirigido a Covas, e que essa inferência é decorrente de "contorcionismo interpretativo".

O tribunal deu razão ao atual prefeito. "A interpretação dada pelo representante não é 'contorcionismo', mas, sim, aquela que se emerge da propaganda, já que não há como se dissociar a primeira parte da propaganda [“Covas é Doria, Boulos é Lula. A gente vai deixar nossa cidade na mão deles?”], daquela que vem na sequência [“Se você é pelo Brasil, se você não gosta de bandido, eu sou seu candidato”]", afirma Perine.

"Ou seja, a propaganda, observada como um todo indissociável, como ela é, vincula a expressão bandido aos candidatos mencionados. E, dessa maneira, a propaganda ofende a honra do representante, injuriando-o, existindo evidente excesso no direito constitucional de livremente manifestar-se, tornando passível, assim, de direito de resposta, a teor da legislação eleitoral."

A decisão impõe que Mamãe Falei não divulgue mais o vídeo em questão e concede a Covas direito de resposta de um minuto. A Justiça Eleitoral já havia negado ao menos três solicitações do tipo feitas por Covas em face do ex-deputado eleito pelo DEM.