Covas recebe alta e poderá continuar trabalhando, mas deve evitar agendas públicas

THIAGO AMÂNCIO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Internado há quase duas semanas para tratar de um câncer, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu alta nesta terça-feira (27) e vai deixar o Hospital Sírio-Libanês, de onde está despachando.

Segundo boletim médico divulgado por sua assessoria, o tratamento oncológico do prefeito, com um novo protocolo de quimioterapia em conjunto com imunoterapia, continuará a ser feito, com aplicações de 48 horas a cada duas semanas.

O boletim diz que a internação se prolongou devido ao acúmulo de líquido entre os pulmões e a pleura (membrana que reveste os pulmões), dentro da caixa torácica. O acúmulo é decorrente de uma inflamação provocada por um dos tumores no fígado. Covas fez drenagem pleural e seu quadro evoluiu com sucesso, dizem os médicos, com redução do líquido e melhora clínica.

O prefeito, no entanto, ainda não poderá participar de agendas públicas, dizem os médicos, mas poderá manter atividades pessoas e profissionais.

O prefeito comemorou a alta em rede social. "Partiu casa! Mais uma vitória entre muitas batalhas. Agradeço a todos pelas rezas, orações e pensamentos positivos. O tratamento continua. O carinho e força que recebi durante todos esses dias são essenciais para continuar lutando e acreditando", escreveu.

Covas é atendido pela equipe coordenada pelos médicos David Uip, Artur Katz, Tulio Eduardo Flesch Pfiffer e Roberto Kalil Filho.

À reportagem, Uip afirma que Covas continuará recebendo nutrição parenteral (alimentação por sonda) todas as noites, em casa, quando vai dormir. Essa alimentação é suplementar, à noite, para ajudar o prefeito a recuperar o peso perdido nas últimas semanas, e ele vai continuar se alimentando normalmente.

As sessões quinzenais de tratamento a que o prefeito vai se submeter deveriam começar já neste fim de semana, mas a equipe médica achou melhor esperar os resultados de novos exames, e esperam retomá-las na próxima semana.

O câncer do prefeito originou-se na cárdia, uma válvula no trato digestivo, e depois afetou também o fígado. Ele iniciou tratamento ainda em 2019 e evita, desde então, afastar-se de suas funções na prefeitura, limitando suas licenças médicas. No ano passado, ele foi reeleito para mais quatro anos de mandato.

Entre outubro de 2019 e fevereiro último, o prefeito fez oito sessões de quimioterapia. As lesões cancerígenas regrediram, mas não desapareceram por completo.

Em fevereiro, um novo nódulo no fígado foi descoberto. Na ocasião, a equipe médica do prefeito disse que o câncer no sistema digestivo que ele trata desde 2019 conseguiu "ganhar terreno", mas que o novo nódulo era menor do que o encontrado há quase dois anos.

No último dia 16, os médicos anunciaram que exames detectaram o surgimento de novos focos de câncer no fígado e ossos do prefeito.