Covas recebe alta de UTI, mas continua internado em hospital

Guilherme Caetano
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SÃO PAULO — Internado desde domingo no Hospital Sírio-Libanês, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu alta da unidade de terapia intensiva (UTI) nesta terça-feira. Ele havia sido intubado após um sangramento no estômago.

Covas segue agora para uma unidade semi-intensiva. No entanto, não há previsão para ele deixar o hospital, segundo a equipe médica. As informações foram dadas durante uma coletiva de imprensa.

— Nós entendemos o sangramento como um evento pontual. Faz parte de pacientes crônicos. Deve ter sido uma infecção ou qualquer outra contingência. (O sangramento) foi enfrentado, foi estancado, (o prefeito) foi para UTI e acaba de ter alta — afirmou David Uip, diretor do centro de infectologia.

O médico Túlio Pfiffer, médico do centro de oncologia, afirmou que é cedo para dizer se o sangramento tem relação com o câncer.

— Ao longo do tratamento, a lesão tumoral regrediu e fez uma úlcera, uma cicatriz, e foi nesse pontou que sangrou. Esse sangramento pode ter tanto uma relação positiva quanto negativa com o câncer. Porém, neste momento é muito cedo para ter qualquer tipo de conclusão para dizer se tem correlação com a evolução do câncer — declarou Pfiffer.

Covas foi transferido para a UTI e intubado na manhã da segunda-feira após ter um sangramento no estômago. A ventilação artificial foi retirada no fim da tarde, mas ele continuou na UTI.

Covas se internou no hospital Sírio Libanês no domingo, cinco dias após ter tido alta na mesma instituição. Antes, ele estava internado desde o dia 15 para tratamento de câncer, quando se submeteu à quimioterapia em conjunto com imunoterapia depois da descoberta de novos tumores no fígado e nos ossos ao fazer exames de rotina.

A decisão pela transferência para a UTI foi feita após um exame de endoscopia detectar que o sangramento foi causado por uma úlcera, na região do tumor original na cárdia. Segundo o boletim médico, o sangramento está "sendo controlado com medidas de hemostasia local".

Bruno Covas anunciou, no domingo, que pediria uma licença de 30 dias do cargo. Ele vai se dedicar exclusivamente ao tratamento contra um câncer no sistema digestivo com metástase óssea.

No início do ano, Covas já havia pedido 10 dias de licença, mas precisará de mais dedicação ao tratamento diante do surgimento de novos focos da doença.

O posto de Covas foi assumido pelo vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB).

Bruno Covas foi diagnosticado com câncer na cárdia, na transição entre o estômago e o esôfago, em 28 de outubro de 2019. Os médicos identificaram duas lesões, no fígado e nos linfonodos, naquela ocasião.

Em 27 de fevereiro de 2020 exames mostraram que o câncer persistia nos linfonodos. A equipe médica decidiu iniciar nova fase do tratamento, baseado em imunoterapia.

Em 17 de fevereiro deste ano um novo nódulo no fígado surgiu. A descoberta levou os médicos a interromperem a imunoterapia para a retomada da quimioterapia convencional. Em 16 de abril novos pontos de doença no fígado e nos ossos foram encontrados. O tratamento foi ajustado com quimioterapia e imunoterapia.