Covas toma posse na prefeitura de SP e cita vice dos EUA ao dizer que 'proteger democracia exige luta'

Guilherme Caetano
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Afonso Braga / Divulgação

O prefeito Bruno Covas (PSDB) tomou posse na tarde desta sexta-feira, numa cerimônia na Câmara dos Vereadores. Em seu discurso, ele citou a vice-presidente eleita dos Estados Unidos, Kamala Harris, e destacou a importância da vacinação prometida para este mês pelo governo estadual.

– A democracia não está garantida. Ela é tão forte quanto a nossa vontade de lutar por ela, de protegê-la. E proteger a nossa democracia exige luta. Com essas palavras, Kamala Harris abriu seu discurso de vitória nas eleições americanas – discursou.

Reeleito com 3.169.121 votos, Covas chega a seu segundo mandato desgastado após sancionar o aumento de 46,6% no próprio salário, que passou de R$ 24,1 mil para R$ 35,4 mil. A medida reajusta também o salário do vice-prefeito, Ricardo Nunes, e dos secretários. No mesmo dia, a prefeitura decidiu pelo fim da gratuidade no transporte público para idosos entre 60 e 64 anos.

Presidida pelo parlamentar mais velho, Eduardo Suplicy (PT), a cerimônia também teve a posse do vice-prefeito Ricardo Nunes e dos 55 vereadores da Casa.

Reajuste: Vereadores de SP aprovam aumento de salário de Bruno Covas em 46%

O governador João Doria (PSDB), de quem Covas foi vice até assumir o mandato quando o antecessor deixou o cargo para disputar o governo do estado, participou da sessão virtualmente.

O prefeito foi reeleito com apoio de 16 partidos no segundo turno. Ele tem na Câmara Municipal uma base aliada confortável, de 25 dos 55 vereadores, mas não suficiente para a aprovação de projetos de seu interesse.

Ele terá de negociar a maioria na Casa. A má notícia é que a oposição (PT e PSOL) cresceu. As duas bancadas, que tinham 11 vereadores em 2020, neste ano somam 14. O PSOL triplicou de tamanho, passando de duas para seis cadeiras.

Além do orçamento mais enxuto e da oposição maior na Câmara, Bruno Covas terá ainda de lidar com a pandemia. Espera-se um aumento de demanda por serviços públicos – principalmente saúde e educação, por causa da crise sanitária –, dentro de um cenário de recuperação econômica em marcha lenta.

Covas afirmou que a cidade de São Paulo "está pronta para vacinar em massa" e se contrapôs ao que chamou de "negacionistas".

– Política não é terreno para intolerância e lavradores de redes sociais. Política é a arte de fazer junto, de construir pontes para o futuro, de superar a divergência cega dos que acreditam que a solução virá dos extremos. Está provado que não. As urnas deram recado de moderação muito claro – afirmou Covas.