Covas vence em todas as zonas eleitorais e pinta mapa de SP de azul pela primeira vez

FÁBIO ZANINI E PILKER
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SÃO PAULO, SP, 15.11.2020 - BRUNO-COVAS-SP: Candidato a reeleição à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), concede coletiva de imprensa no diretório do partido, na rua Estados Unidos, na capital paulista, neste domingo (15). (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 15.11.2020 - BRUNO-COVAS-SP: Candidato a reeleição à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), concede coletiva de imprensa no diretório do partido, na rua Estados Unidos, na capital paulista, neste domingo (15). (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bruno Covas (PSDB) obteve no primeiro turno da eleição de São Paulo uma vitória que nem o malufismo ou o petismo em seus momentos de maior força política conseguiram nos últimos 24 anos. Pintou o mapa da cidade de uma mesma cor.

Candidato à reeleição, Covas ficou em primeiro lugar em todas as 58 zonas eleitorais da cidade.

Desde 1996, quem mais se aproximou da façanha foi Celso Pitta (PPB). No primeiro turno da eleição daquele ano, o então apadrinhado de Paulo Maluf só não triunfou em São Mateus, na zona leste, região em que foi derrotado por Luiza Erundina, à época no PT.

Na eleição seguinte, veio o troco do PT, com Marta Suplicy vencendo em quase toda a cidade, com exceção de um punhado de bairros centrais, que apoiaram Maluf.

Nas eleições de 2004 e 2012, petistas e tucanos dividiram a cidade, com a legenda de esquerda forte na periferia e os tucanos reinando na região central. Na de 2008, o mesmo ocorreu na disputa do PT contra Gilberto Kassab (na época no DEM).

Em 2016, João Doria (PSDB), único a ganhar em primeiro turno, só não venceu em dois bairros do extremo sul, Grajaú e Parelheiros, que apoiaram Marta, disputando pelo PMDB.

Desta vez, Covas manteve o padrão tucano de conseguir boas votações em regiões mais nobres da cidade. Seu melhor desempenho foi no Jardim Paulista, com 44,52% dos votos, seguido de perto por Indianópolis, com 44,05%. Mas ele também teve resultados expressivos em áreas afastadas, como Capela do Socorro (33,15%), Cidade Ademar (33,28%) e Rio Pequeno (33,54%).

Seu adversário no segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL), teve os melhores resultados em áreas nobres, provando ter força entre a classe média progressista e os setores de maior renda e instrução. Essas tendências já eram apontadas pela pesquisa do Datafolha e de outros institutos.

O maior percentual obtido por Boulos foi em Pinheiros, com 31,89% dos votos. Mas ele pode comemorar algumas boas notícias na periferia também.

O candidato do PSOL, que mora em Campo Limpo e despontou para a política liderando um movimento social, não escondia na campanha seu incômodo com o fato de suas intenções de voto serem baixas nas áreas afastadas.

No cômputo final, Boulos recuperou terreno entre setores mais carentes e conseguiu se impor sobre outros candidatos com força nessas regiões, sobretudo Jilmar Tatto (PT). O psolista teve 22,83% no Campo Limpo e 22,05% no Capão Redondo, por exemplo.

Boulos ficou em segundo lugar em 56 das 58 zonas eleitorais. As exceções foram Grajaú e Parelheiros, em que a posição de vice foi de Tatto. Nessas áreas, o eleitorado identificado com o PT é muito forte, não importa quem seja o candidato.

O petista já declarou voto em Boulos no segundo turno, o que deve dar um impulso à campanha do candidato do PSOL na periferia.

Já Covas conta com a memória de seu avô, o ex-prefeito Mário Covas, e o apoio de Marta, ainda bastante popular em regiões afastadas, para manter grande parte do voto dos mais pobres.

Terceiro colocado na disputa, o ex-governador Márcio França (PSB) também demonstrou alguma força na periferia. Seu melhor resultado foi em São Miguel Paulista, extremo da zona leste, onde ficou com 16,76% dos votos. Ele também teve boas votações em algumas das regiões centrais.

Seus eleitores serão os mais cobiçados no segundo turno, até por terem perfil híbrido: uma parte tende a simpatizar com os tucanos, de quem França já foi vice no governo de São Paulo, e outra é de esquerda, fazendo jus à palavra "socialista" no nome do partido do candidato.

O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que mais uma vez passou por um processo de acelerado derretimento durante a campanha eleitoral, teve seu melhor resultado em Itaim Paulista, também na zona leste, onde ficou em terceiro lugar, com 14,88%.

Já o deputado estadual Arthur do Val (Patriota), que surpreendeu na eleição ao ficar em quinto, chegando muito perto de desbancar Russomanno, registrou seu melhor desempenho no Tatuapé, onde conseguiu 14,29% dos votos.